Por Anderson Luis
No último dia 01, a ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, se filiou ao MDB para disputar as eleições de outubro deste ano. A movimentação aconteceu após deixar o PT depois 40 anos, mas antes disso, ela conversou com o PSOL sobre possibilidade de embarque no partido.
O diálogo foi confirmado pelo presidente estadual do PSOL, Ronaldo Mansur, ao ser procurado pela reportagem do AsP nesta quarta-feira (08). De acordo com ele, a negociação foi malsucedida devido à resistência oferecida por algumas lideranças do partido.
“A Moema decidiu caminhar novos caminhos. De fato, ela procurou o PSOL, nós a ouvimos e iríamos pautar o contato dela com o conjunto da direção do partido. Obviamente, você tem posições diversas no PSOL quanto à gestão de Moema Gramacho em Lauro de Freitas. Basta ver que, das grandes cidades da Bahia em 2024, Lauro de Freitas foi a única cidade que o PSOL não apoiou a candidatura indicada por Moema. Por aí você já tira, mais ou menos, qual a sensibilidade política em relação ao processo do que foi Lauro de Freitas sob o comando dela. Nós apoiamos o PT em Jequié, em Feira de Santana, em Senhor do Bonfim… Nas grandes cidades apoiamos o PT, menos onde havia a figura apoiada por Moema. Então, creio que ela, sentindo a dificuldade que seria o diálogo com o conjunto do PSOL, decidiu trilhar um outro rumo, que foi para o MDB. Um partido adverso às posições ideológicas e programáticas em relação ao PT. Não se trata de uma aliança eleitoral, onde você faz acordos com partidos adversos; trata-se de uma filiação partidária. E a diferença do MDB para a União Brasil é um fio de cabelo”, informou.
Em uma entrevista ao Podcast do Aqui Só Política, o cacique do MDB, Geddel Vieira Lima, afirmou que a ex-prefeita de Lauro teria mais “liberdade” dentro da nova casa. Já Ronaldo Mansur, avaliou que o espaço buscado por Moema na aliança será ‘ilusório’.
“Creio que o espaço que ela tenha seja um espaço ilusório dentro do MDB, onde tudo é controlado”, avaliou o também candidato ao governo da Bahia em 2026 pelo diretório psolista.
Mansur também acredita que Gramacho poderá oferecer ameaça aos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima no MDB.
“MDB é mais ou menos como um ‘Big Brother’, onde o diretor manipula todos os jogos. As pessoas que participam acham que estão dominando o jogo quando, na verdade, é quem está lá fora que manipula todo o processo. Então, a Moema vai ter o espaço que os irmãos Vieira Lima permitirem que ela tenha. Se ela ousar querer crescer muito dentro do MDB, ela se torna uma ameaça para os Vieira Lima. Ela está de “casa nova”, e toda casa nova gera uma motivação, mas ela jamais vai deixar de vestir o vermelho do PT; a declaração dela foi justamente que foi para o MDB para fazer a unidade da base de Jerônimo”, concluiu.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

