Por: Eduardo Costa
O pré-candidato ao Governo da Bahia e presidente estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ronaldo Mansur, rebateu as declarações do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), que afirmou não ter conhecimento da pré-candidatura de Mansur até a última quarta-feira (15).
Durante uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP), evento feito pelo grupo do Partido dos Trabalhadores (PT), Boulos confessou que não sabia da candidatura Mansur ao governo da Bahia. Para ele, o movimento certo do partido seria apoiar a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).
“Eu soube hoje, quando vi uma declaração, que o PSOL tinha candidatura aqui ao governo. Achei que estava apoiando Jerônimo. Para mim, é a política correta a ser feita aqui na Bahia”, disse o ministro.
Em entrevista exclusiva ao Aqui Só Política, Mansur afirmou que Boulos mentiu em sua fala. Segundo ele, o ministro estava ciente de sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina desde agosto de 2025.
Ainda de acordo com o pré-candidato, Boulos “não tem autoridade” para falar pelo PSOl e que o “chefe dele é o Lula”.
“Na minha visão ele deveria ter respeito pelo PSOL, ter minimamente ética, pois o partido desde 16 de setembro de 2025, lançou a minha pré-candidatura por unanimidade, e ele sabia e faltou com a verdade. Éramos da mesma corrente politica até um mês atrás, e eu e mais de 90% dos quadros rompemos, por isso ele deve ter esquecido que o partido na Bahia, tem candidato, o que é muito estranho, pois mostra que a assessoria do ministro não acompanha muito o cenário nacional. Lastimável a falta de respeito com o único partido ao qual deu à ele legenda para ele se tornar figura pública, mas é isso. O mundo gira”, afirmou Mansur.
“Ele está afastado do Partido, das instâncias de decisõe, logo não tem autoridade para falar pelo PSOL. O Chefe dele é o Lula, para aonde Lula, mandar, ele deve ir e seguir a cartilha e assim o fez”, disse.
Mansur ainda disse que, segundo ele, Boulos acredita que o PSOL deveria apoiar o PT em todos os estados. O pré-candidato lembrou que o ministro tentou articular uma federação entre as duas legendas, porém, foi recusado pela sigla.
“Na vida dele, todo o PSOL deveria apoiar o PT em todos os Estados, e isso é público. Ele defendeu que o PSOL fizesse Federação com o PT e foi derrotado internamente com mais de 80% da direção contra e mais de 99% dos filiados contrários. A visão dele é coerente com o cargo que ele ocupa e deve seguir a cartilha petista/governista”, afirmou Mansur.
Sobre a presença de Boulos no evento petista, Mansur disse que isso servia apenas para “agitação interna no PT”. Segundo ele, a atitude de Boulos só serviu para afastar ainda mais uma possibilidade reaproximação do PSOL baiano.
“A fala e a presença dele no palanque do PT só serviu para agitação interna do PT, por quê para o eleitorado do PSOL não muda nada, pelo contrário, não ajuda essa exposição ao próprio Jerônimo, porquê o eleitorado do PSOL ‘pensa’ e internamente dentro do PSOL, a repulsa por esse tremendo desrespeito, é imensa”, disse.
“Se ele veio no intuito de tentar provocar, só conseguiu afastar ainda mais alguma possibilidade de alguma coisa. Não abaixamos a cabeça para cargo de Secretário Geral da Presidência, isso passa, não é vitalício. O melhor que ele deveria fazer era assumir de vez a ida pro PT e ser coerente com as movimentações que faz em todo o país, pró PT”, afirmou.
Mansur disse respeitar a candidatura de Jerônimo, porém, afirmou que não irá “engraxar os sapatos” do grupo petista.
“Respeitamos a pré-candidatura de Jerônimo, mas o PSOL tem cara própria nas eleições. Não podemos engraxar os sapatos de quem depois de quase 4 anos, lembra que o PSOL existe” afirmou.
“Não existimos apenas em época de eleição, quem renunciou ao diálogo não fomos nós, quem optou por ignorar e dar k.o não fomos nós”, disse.
Mesmo com a situação, Mansur disse que partido apoiará a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


