O ex-ministro e candidato ao Senado, João Roma (PL), afirmou, nesta segunda-feira (10), que pretende atuar no Congresso Nacional para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes da República. Durante sabatina promovida pelo Jornal A Tarde, ao ser questionado pela editora-chefe do Aqui só Política, Cíntia Kelly, sobre uma eventual atuação em prol de impeachments de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito, o candidato criticou a atuação do Judiciário e defendeu uma Justiça que, segundo ele, contribua para reduzir conflitos e garantir segurança jurídica no país.
Roma afirmou que a busca pelo equilíbrio institucional será uma das principais bandeiras de sua eventual atuação no Senado Federal. Para ele, o Brasil enfrenta um cenário de desequilíbrio entre os Poderes que ultrapassa a disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu quero ser senador para restaurar o equilíbrio dos Poderes da República, que hoje não está agindo de forma harmônica. E você já ouviu, inclusive, da minha boca, em outras oportunidades, que o que mais preocupa o nosso Brasil, para além, inclusive, de uma queda de braço entre Lula e Bolsonaro, esquerda e direita, é a questão da segurança jurídica. Não conheço nenhuma nação que tenha prosperado sem uma segurança jurídica, sem um arcabouço para que as regras sejam cumpridas, que viabilizem novos investimentos, que as pessoas tenham os seus direitos civis. E o que está acontecendo no Brasil, escalando de forma muito rápida, é efetivamente um grande desequilíbrio”, apontou.
João Roma também criticou a forma como ministros do STF apresentam seus votos durante julgamentos. Segundo ele, a transmissão das sessões contribuiu para transformar decisões judiciais em uma espécie de espetáculo.
“Os votos que antes não chegavam a 30 minutos, hoje, com o voto televisionado, diferente do que acontece nos Estados Unidos, hoje demora, às vezes, mais de uma hora e meia, porque se transforma num espetáculo. E eu não quero uma Justiça espetaculosa”, criticou o presidente do PL na Bahia.
Roma também disse que o Judiciário não deve ocupar uma posição que, segundo ele, aumente os conflitos políticos e sociais. “Eu quero uma justiça que leve dignidade ao cidadão. Eu quero uma justiça que harmonize a nossa nação, não que esteja como pivô central de asperezas, de aumentar a temperatura em conflitos que só divide a nossa sociedade”.
O candidato ao Senado afirmou ainda que pretende defender as prerrogativas constitucionais do Congresso Nacional caso seja eleito. Roma citou a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e afirmou que essa atribuição está prevista na Constituição e cabe ao Senado. “Eu não vou abrir mão das prerrogativas do Senado, e o que estiver em conformidade com a nossa Constituição, eu serei sim um grande guerreiro para defender o povo baiano e o povo brasileiro”.
Além da agenda institucional, João Roma afirmou que pretende representar diferentes regiões da Bahia caso seja eleito para o Senado. “Serei senador de todo o povo baiano, terei a necessidade de enxergar, de forma muito ampla, as especificidades de cada região, de cada homem e cada mulher, de cada cenário”.
Roma também citou a necessidade de investimentos em infraestrutura e defendeu maior atenção a áreas como cultura e serviços públicos. “Não apenas da infraestrutura que a gente vê se corroer, mas também de questões imateriais, como um espaço maior e de forma mais estruturada na cultura, no resgate dos serviços públicos da Bahia, que estão se deteriorando”.
Durante o primeiro bloco, Roma também comentou a corrida para o Senado, e afirmou que a disputa costuma receber menos atenção do eleitor durante o processo eleitoral em comparação com as eleições para governador e presidente.
Segundo o candidato, esse cenário começa a mudar após a definição das chapas e o início oficial da campanha. “A eleição para o Senado, nem sempre é o prato principal de uma eleição. No geral, há uma mobilização maior para as mudanças de rumo do Estado ou de uma nação”.
Roma também mencionou pesquisas eleitorais para avaliar o cenário da disputa na Bahia. Segundo ele, os levantamentos apontam queda nas intenções de voto de Jaques Wagner e Rui Costa, enquanto seu desempenho teria apresentado crescimento. “Eu também percebo nas pesquisas que Jaques Wagner vem caindo muito, o próprio Rui Costa também caiu, e eu tenho crescido nas pesquisas”.
Na avaliação do candidato, a definição das chapas e o início da campanha devem aumentar a atenção dos eleitores para a disputa pelas duas vagas ao Senado.
“A partir de agora, começa a se vincular isso. Muitas das pessoas sequer estavam sintonizadas com a formação das chapas. Agora que se passaram as convenções, a partir desse domingo, dia 16, que se começa a campanha”.

