O governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), negou, nesta terça-feira (18), que o desempenho eleitoral do Partido dos Trabalhadores no estado dependa exclusivamente da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a presença do presidente nas campanhas petistas está relacionada tanto à liderança política quanto à importância de manter alinhamento com o governo federal.
Questionado sobre a presença de Lula nas eleições do PT na Bahia ao longo dos últimos 20 anos e a capacidade do partido de conquistar votos sem a imagem do presidente durante sabatina do Grupo A Tarde, Jerônimo afirmou que o PT apoiaria outros nomes de projeção nacional caso Lula não fosse candidato à Presidência. Como exemplo, o petista citou o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além dos ex-governadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT).
“Não é só o Lula. Se nós tivéssemos outro candidato, fosse Haddad, fosse quem quer que seja, Rui, Wagner, os quadros nossos nacionais, nós também depositaríamos a confiança”, apontou.
O governador afirmou que sua experiência como secretário lhe mostrou as dificuldades enfrentadas por um estado quando não existe articulação com o governo federal. “Eu vivenciei oito anos sendo secretário de Rui Costa. Fui do rural, depois da educação e eu vi o quanto um governador padece em não ter um governo federal, não é aliado, mas que não atenda, não estou dizendo que tinha que ser aliado”.
“Rui ficou oito anos. Nos últimos seis, dois com Temer, quatro com o Bolsonaro e Rui não foi atendido uma vez. Eu era secretário de educação, pegamos a pandemia, pedimos reuniões com o ministro da educação para tratarmos as coisas da escola, e nós não éramos recebidos”, apontou.
Apesar de negar dependência eleitoral, Jerônimo reconheceu a força política de Lula dentro do grupo petista. “Tem o efeito de Lula porque é uma liderança, é uma referência nossa. Mas tem também pelo lugar de presidente. Quando eu vou a um município que o prefeito diz: ‘governador, eu tenho que eleger o senhor porque eu preciso de um governo que me apoie, que ajude a gente nas ações nossas, é o mesmo que eu falo com o Lula'”, destacou.
Na ocasião, Jerônimo também direcionou críticas ao ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). O governador lembrou que Neto já declarou oposição a Lula, mas estaria tentando se aproximar da imagem do presidente durante a atual disputa eleitoral. O petista também resgatou uma fala de Neto, de 2005, que afirmou que se juntaria ao líder do PSDB no Senado na época, Arthur Virgílio (AM), para dar uma “surra” no presidente Lula.
Na época, Neto era deputado federal e ocupava o cargo de relator da CPI que investigava o ‘Mensalão’, e disse que ele e outros parlamentares da oposição estariam sendo investigados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Ao associar-me às palavras do senador Arthur Virgílio, sou capaz de dar uma surra. Senador Arthur Virgílio, vossa excelência não dará uma surra sozinho não, terá um aliado, porque não tenho medo. Repito, não tenho medo. Não me acovardo. Não me intimido. Não me intimido por ninguém. Vou até o fim na investigação”, disse Neto na ocasião. Três dias depois, Neto afirmou em declaração no horário eleitoral, que “reagiu de forma indevida” ao caso, segundo a Folha de S. Paulo.
“Meu opositor já prometeu uma surra no Lula. Ele já disse, em um debate em Porto Seguro, quando perguntaram: ‘E o Lula?’. Ele disse: ‘Eu vou ser contra Lula quem for o candidato’, é o Caiado, que não é verdade. Ele se cola em Caiado, mas ele tem um perfil de negacionista. O ex-prefeito de Salvador, o Neto é bolsonarista”, disparou Jerônimo nesta terça.
Jerônimo também acusou ACM Neto de ter adotado posições negativas em relação a obras de infraestrutura na Bahia. “Ele é negacionista, ao ponto de dizer não vai sair o metrô. Ele dizia que não ia sair o metrô, ele tá dizendo até agora que não vai sair o VLT, mudou um pouco, tá vendo o VLT. Ele negou até agora que a ponte não vai sair, isso é negação, nega tudo”.
Por fim, o petista afirmou que possui o apoio do presidente Lula para a disputa pelo governo da Bahia e classificou ACM Neto como opositor do presidente no estado. “Ele vive agora querendo pegar carona nas ondas do presidente Lula. Salvador e a Bahia sabem que o candidato de Lula aqui na Bahia sou eu, o Jerônimo, é o Jero dele. E o Neto fica colando, tentando colar, mas ele é o anti-Lula na Bahia”.

