Alvo de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na última terça-feira (5), a ex-diretora-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Márcia Telles, já havia sido criticada formalmente em 2021 por acúmulo considerado ilegal de cargos públicos. Na época, Telles exercia simultaneamente a função de diretora do Inema e secretária estadual de Meio Ambiente, o que, segundo a Associação dos Servidores do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Ascra), violava a Constituição Estadual e comprometia a fiscalização ambiental no estado.
O acúmulo de funções gerou reação da categoria e resultou em uma moção de repúdio apresentada pelo deputado estadual Hilton Coelho (Psol) na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), ainda em 2021. A crítica apontava que, ao concentrar os dois cargos, Márcia Telles passava a ser fiscal de si mesma, enfraquecendo os mecanismos de controle e colocando em risco a segurança jurídica de atos administrativos. Agora, a apuração do MP-BA, ligada à Operação Ceres, busca esclarecer suspeitas de vantagens indevidas durante sua gestão, embora ela não figure entre os denunciados.

