Nesta quarta-feira (26), durante agenda no Nordeste, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu o aumento do endividamento das famílias brasileiras à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No mesmo dia, a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e assessora econômica da campanha, disse pela primeira vez que um eventual governo de Flávio terá um programa de renegociação de dívidas de consumidores, usando ativos da União.
A dobradinha indica uma mudança de estratégia do senador. A candidatura vinha concentrando o discurso em segurança pública e nos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas passa a incluir inflação e endividamento das famílias entre os temas centrais.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro, publicado pelo PL, apresentado em 13 de agosto, já citava a Caixa Econômica Federal como instrumento de crédito e orientação financeira, mas o mecanismo de renegociação com ativos federais detalhado nesta quarta-feira pela ex-presidente do banco público não constava no documento original.
Segundo Daniella Marques, o programa usaria créditos de dívidas ativas, estatais, contratos antecipados de exploração de petróleo e fundos imobiliários com imóveis federais.
A estimativa da campanha é de que um terço dos mais de R$ 5 trilhões mapeados em ativos públicos sirva de base para a iniciativa.
A Caixa seria a operadora central da renegociação, com mutirões presenciais nas agências voltados a beneficiários do Bolsa Família e do Cadastro Único (CadÚnico).

