A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, revelou que um grupo criminoso, supostamente liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), monitorava minuciosamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, os integrantes da organização criminosa tinham conhecimento exato da posição do magistrado durante a cerimônia de diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 12 de dezembro de 2022.
A acusação, formalizada na última terça-feira (18), aponta que o grupo utilizava codinomes inspirados na série “La Casa de Papel” e operava por meio do aplicativo Signal, além de usarem linhas telefônicas registradas em nomes de terceiros. Entre os envolvidos estavam Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. No dia da diplomação, Câmara enviou mensagens detalhando a movimentação de Moraes, descrevendo percursos e acessos utilizados pelo ministro.
Ainda segundo Gonet, o plano de execução de Alexandre de Moraes estava marcado para 15 de dezembro de 2022, com deslocamento de membros do grupo de Goiânia para Brasília. O objetivo era agir na residência funcional do ministro, onde os suspeitos se posicionaram estrategicamente. No entanto, a operação foi cancelada pelo integrante identificado como “Alemanha”, após o STF adiar a votação do orçamento secreto. A identidade real desse indivíduo ainda não foi descoberta pela Polícia Federal.

