O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas da CNN Brasil, nesta quarta-feira (2). Durante a entrevista, Caiado defendeu a exigência de idade mínima para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), posicionou-se contra o uso de câmeras corporais por policiais em operações e declarou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 não deve passar por discussão durante o período eleitoral.
Caiado sugeriu a fixação de uma idade mínima de 60 anos para a indicação de ministros ao STF. Segundo o candidato, os indicados devem apresentar “com carreira, currículo, histórico na área jurídica e constitucional do pais”.
Ao responder sobre as crises na Corte, o candidato propôs a realização de sabatinas por parte de todos os órgãos do Estado. O objetivo, segundo ele, é garantir “liberdade para levantar todos os detalhes da vida pregressa dele” e avaliar a capacidade de permanência do indicado no cargo.
Na terça-feira (1°), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF). Os documentos contêm diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Diante do conteúdo divulgado pela PF, Caiado afirmou que Moraes não deve continuar no tribunal: “Não vejo como ele permanecer no STF. Isso seria desrespeito completo com a sociedade brasileira. Como que a pessoa que está no cargo do órgão maior do pais, que tem função de ser guardião da Constituição e interpretar demandas que são feitas e estar com tudo isso que o Brasil assistiu? É inaceitável, é inadmissível”, disse.
O candidato declarou também que a manutenção de investigações sob segredo de justiça na Suprema Corte gera riscos à estabilidade democrática: “A democracia não pode sofrer um golpe. Sofre risco, neste momento, de sofrer um golpe caso o Supremo não derrube o sigilo de todas as operações que lá estão”, destacou.
Além disso, o ex-governador de Goiás declarou que os eleitores precisam ter acesso a informações sobre o envolvimento de candidatos em investigações antes do pleito de outubro: “É hora do STF saber da sua responsabilidade, do STF quebrar o sigilo para o cidadão saber em quem ele está votando antes das eleições”, disse.
Em relação à segurança pública, Caiado declarou que “nunca viu num campo de guerra policial ter câmera, a menos que seja modernidade agora”. A declaração ocorreu após ser questionado sobre a operação das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro de 2025, que resultou em 121 mortos.
Ao avaliar a atuação policial nesses locais, o candidato afirmou: “Ali é campo de guerra, não está fazendo ação policial, os armamentos [dos criminosos] são de calibre superior ao seu, a estrutura para lançar granada é maior que a sua, o policial fica totalmente encurralado”, defendeu.
O ex-governador também citou a polícia de Londres, na Inglaterra, declarando que o objetivo para o Brasil é que os agentes trabalhem nas ruas utilizando apenas “apito e cacetete”.
Sobre as regras trabalhistas, Caiado afirmou manter posição favorável à jornada 5×2 e sustentou que o fim da escala 6×1 não deve ser pautado em ano eleitoral: “É importante deixar claro que minha posição jamais foi contra, o que eu disse é que devíamos respeitar a economia do país e discutir esses assuntos, mas não no momento eleitoreiro”, pontuou.
Segundo a avaliação do candidato, o tema entrou em pauta devido ao “desgaste do governo com relação ao escândalo do STF”, fator que “compromete a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atinge todos os poderes”.
Caiado finalizou o tema apontando o impacto das mudanças no setor produtivo: “O que é importante é que, quando se trata da 6×1, o Congresso pode avaliar a situação das pequenas e microempresas. Eles absorvem 90% dos trabalhadores formais. Quando propõe uma emenda à Constituição responsável, já traz no bolo dessa proposta a solução para esse segmento tão importante”, concluiu.

