2026 é logo ali. Cada prefeito que o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), recebe com ou sem pretexto de agenda institucional, é um apoio a menos que o possível candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), contabiliza. Ao menos, por ora.
Claro que a um ano e nove meses das eleições tudo pode acontecer. No entanto, lembrando um adágio do líder dos petistas, senador Jaques Wagner, prefeito é igual a biruta de aeroporto. Pegou aí a referência, né?
Em que pese as emendas que vão diretamente para prefeitos, uma relação de dependência do primo pobre (município) com o primo intermediário (governo estadual) ainda existe. Um adendo, As emendas Pix são aquelas cujos recursos saem do caixa da União e são enviados diretamente por parlamentares para contas bancárias de estados e municípios.
Aliado ao senso de oportunidade dos ditos ‘primos pobres’, um elemento agrava a situação de ACM Neto. Prefeitos que o apoiaram em 2022 esperaram arduamente um aperto de mão, um tapinha nas costas, um telefonema, um papo olho no olho ou um simples agradecimento por eles terem continuado a apoiá-lo, enquanto muitos mudaram de lado no final do primeiro turno.
Uma queixa recente é do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP). “Tem muito tempo que não converso com ACM Neto, conversei bem antes das eleições”, disse à imprensa.
Após a derrota no segundo turno para Jerônimo Rodrigues era natural que ACM Neto ‘mergulhasse”. Afinal, toda derrota machuca. Mas, passado o período de lamber as feridas, é necessário, como muitos dizem, sebo nas canelas, á que o vice-presidente nacional do União Brasil tem pretensões de governar o estado. Mais de dois anos se passaram da derrota, e Neto continua mergulhado.
Em 2024, ano de eleições municipais, ele esteve em 30 cidades. Algumas delas mais de duas vezes. E só. Os dados estão disponíveis no Instagram do ex-prefeito de Salvador. A rede social em questão mostra também que ele recebeu alguns prefeitos na sede do partido. E só.
DESEQUILÍBRIO– O cientista político Cláudio André avalia que Neto perdeu o timing da política.
“O ex-prefeito ACM Neto perdeu o timing de, inclusive, trabalhar pela coesão do seu grupo de oposição ao longo de 2023. E, no ano passado, ele, inclusive, teve uma articulação tímida do ponto de vista de rodar a Bahia, de construir as pré-campanhas, de reunir o pessoal e tem um indicador em relação a isso”, disse ao Aqui só Política.
“Quantos municípios o ex-prefeito ACM Neto visitou no ano de 2024 na pré-campanha e na campanha? Se a gente comparar com o governador Jerônimo, a gente vai ver exatamente que há aí um desequilíbrio”, avalia Cláudio André.
Para o cientista político, a proximidade com gestores municipais poderia ser usada por Neto como estratégia.
“A deferência de ele ir aos municípios, de reunir a sua base é um ponto que, de alguma forma, deveria estar no radar e, sobretudo, numa perspectiva de conseguir fortalecer o grupo para chegar mais coeso e mais forte em 2026. (…) A oposição não está, necessariamente, forte, unida e construída diante de um sentimento de não ser um bloco que hoje ameaça a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues”, finaliza Cláudio André.
O ASP tentou falar com ACM Neto, mas não obteve retorno.

