O indicado por Lula para a diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM), José Fernando de Mendonça Gomes, poderá enfrentar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse devido aos vínculos de sua família com mineradoras que possuem processos ativos na agência. Seu filho, Caio Brilhante Gomes, é consultor jurídico da Aura Minerals, uma das maiores produtoras de ouro do país, que tem mais de 100 processos na ANM. Além disso, a esposa de Gomes, Poliana Bentes, presta consultoria para mineradoras, incluindo a Bemisa e a Ligga, cujos processos também estão sob a supervisão da agência.
Apesar de afirmar ao Senado que não possui parentes com vínculo profissional com sua área de atuação, os laços familiares de Gomes com o setor mineral levantam preocupações sobre sua capacidade de agir com imparcialidade, especialmente em relação às empresas que empregam seus familiares. Os diretores da ANM, responsáveis por julgar processos e editar regulamentações que impactam diretamente o setor mineral, podem se deparar com situações onde o favorecimento, ainda que indireto, seja possível. A própria estrutura da agência e os vínculos de sua família com as mineradoras envolvem o risco de um “conflito de interesse” ao tomar decisões que afetem diretamente os negócios de suas relações familiares.
A nomeação de Gomes para a ANM e seus vínculos familiares com as mineradoras estão gerando pressão, tanto de especialistas como de servidores da agência, que pedem maior rigor durante a sabatina no Senado. Para eles, a questão não é apenas a possibilidade de favorecimento material, mas o impacto que essa situação pode ter sobre a independência da agência reguladora, especialmente diante da crescente influência do setor mineral nas decisões políticas e regulatórias do país.

