A vereadora Marta Rodrigues (PT) classificou como “criminosa e irresponsável”, nesta segunda-feira (28), a declaração sobre uma suposta “chacina” no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos, feita durante um ato de campanha do candidato à Presidência Renan Santos (Missão), no domingo (27), em Salvador.
A parlamentar defendeu que o episódio seja analisado pelas autoridades competentes e responsabilizou politicamente Renan pela reação à fala feita no palanque. Na avaliação de Marta, o presidenciável endossou a declaração e, por isso, também deve responder pelo episódio.
“O que foi dito é de uma gravidade absurda. Estamos falando de uma declaração que banaliza a morte e transforma comunidades inteiras em alvo de violência. Isso não pode ser tratado como simples retórica de campanha. É uma fala criminosa e irresponsável, que precisa ser analisada pelas instituições de Justiça”, afirmou Marta.
Ao comentar o episódio, a vereadora destacou a trajetória do Bairro da Paz e rejeitou uma associação generalizada entre os moradores da comunidade e a criminalidade. Marta argumentou que políticas de enfrentamento às organizações criminosas não podem transformar territórios inteiros em alvos nem ignorar as pessoas que vivem nessas localidades.
“O Bairro da Paz é formado por pessoas íntegras, de caráter e de dignidade. São trabalhadores, famílias, estudantes, comerciantes, jovens e lideranças comunitárias que constroem diariamente a história daquele lugar e da nossa cidade. Nenhum político pode chegar a uma comunidade e falar em chacina como se estivesse falando de um território sem pessoas”, disse.
A parlamentar também diferenciou o combate ao crime organizado da defesa de ações violentas contra comunidades. “Segurança pública se faz com investigação, inteligência, prevenção e ação do Estado dentro da lei. Chacina não é política de segurança. Discurso de ódio não é política de segurança. Falar em matar pessoas é uma atrocidade, especialmente quando isso acontece em um ato de alguém que pretende disputar a Presidência da República”, afirmou.
Marta também utilizou o episódio para fazer uma crítica política mais ampla. Para a petista, o discurso apresentado durante o ato de Renan reproduz uma visão que ela associa ao bolsonarismo, apesar de o candidato do Missão não integrar o mesmo campo partidário de Flávio Bolsonaro (PL).
“Não é preciso estar no mesmo partido para reproduzir uma mesma visão de mundo. Esse discurso de ódio, de eliminação do outro e de banalização da morte dialoga diretamente com aquilo que o bolsonarismo ajudou a normalizar na política brasileira. Quem pretende conduzir um país precisa ter responsabilidade, ética e respeito pela vida. Não se pode querer governar milhões de brasileiros enquanto se trata uma comunidade como alvo de uma chacina”, declarou.
Ao final da manifestação, Marta defendeu que o conteúdo das declarações e as circunstâncias em que foram feitas sejam analisados pelas instituições responsáveis. “É preciso que a Justiça e as instituições responsáveis façam a apuração. Uma fala dessa natureza não pode ser naturalizada, esquecida ou tratada como bravata. O Bairro da Paz merece respeito, seus moradores merecem dignidade e ninguém pode defender uma chacina contra uma comunidade e achar que não terá de responder por isso”, destacou.

