O ex-ministro da Cidadania e candidato ao Senado, João Roma (PL), criticou, nesta terça-feira (22), a demora na implantação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e apontou problemas na oferta de energia e na infraestrutura logística como obstáculos para a expansão econômica do Oeste da Bahia. As declarações foram feitas durante sabatina da Rede Boa FM.
Roma afirmou que o crescimento da produção agrícola, da irrigação e das atividades industriais precisa ser acompanhado pela ampliação da infraestrutura disponível na região. Segundo o candidato, a capacidade atual do sistema elétrico é insuficiente para atender novos empreendimentos interessados em se instalar no Oeste.
“Hoje existem, inclusive, indústrias querendo se instalar na região e não fazem porque falta suprimento de energia. Não é só eletrificação, você precisa de subestação de energia e linha de transmissão”, afirmou.
A necessidade de expansão do sistema energético já vem sendo discutida por representantes do setor produtivo. Em junho deste ano, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) entregou ao Ministério de Minas e Energia (MME) e ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) um estudo sobre a demanda energética do Oeste baiano.
O levantamento, iniciado em 2025 e concluído neste ano, analisou as necessidades atuais e futuras de energia diante do crescimento da agricultura irrigada e das agroindústrias. Segundo a entidade, o objetivo é subsidiar o planejamento de investimentos em geração, transmissão e distribuição de eletricidade na região.
A infraestrutura ferroviária também esteve entre os pontos abordados pelo candidato. Roma defendeu a conclusão da Fiol como alternativa para ampliar a capacidade de escoamento da produção do Oeste e reduzir gargalos logísticos.
“É preciso avançar, sobretudo, numa obra que é a Fiol, Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que interliga com o Porto Sul. É um projeto de mais de 20 anos que foi apresentado e simplesmente não conseguiu avançar”, declarou.
O empreendimento ferroviário é dividido em diferentes trechos. A Fiol 1, com aproximadamente 537 quilômetros, liga Ilhéus a Caetité e foi concedida à Bahia Mineração (Bamin) em 2021. As obras desse segmento foram interrompidas em março de 2025 diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela concessionária. Em 2026, avançaram as negociações para a transferência do controle do projeto para a Mota-Engil.
A Fiol 1 está vinculada ao Porto Sul, em Ilhéus, formando um corredor planejado para transportar principalmente minério e produtos agrícolas do interior até o litoral. Já a Fiol 2, entre Caetité e Barreiras, é executada com recursos públicos e também registra atrasos. Em setembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou problemas no cronograma do Lote 6 da ferrovia. Após 48 meses de contrato, a execução financeira acumulada estava em 48,79%, diante de 72,46% previstos para o período.
Roma incluiu ainda a infraestrutura rodoviária entre as demandas que pretende acompanhar caso seja eleito para o Senado. Uma das obras citadas foi a duplicação da BR-242, entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, dois dos principais municípios do Oeste.
O candidato também mencionou o Aeroporto Dom Ricardo Weberberger, em Barreiras, ao defender melhorias na conexão do Oeste com outras regiões do país. O equipamento já recebeu investimentos dos governos federal e estadual para reforma e ampliação. Em 2025, foram autorizados R$ 63,4 milhões para intervenções que incluem a ampliação da pista, reforma da taxiway, construção de um novo pátio de aeronaves e implantação de um novo terminal de passageiros.
A pista foi projetada para passar de 1.600 para 1.950 metros, permitindo a operação de aeronaves com capacidade de até 200 passageiros. O novo terminal, por sua vez, terá aproximadamente 2,2 mil metros quadrados. Ao abordar esse conjunto de projetos, Roma afirmou que pretende utilizar um eventual mandato no Senado para buscar recursos e acompanhar a execução das intervenções consideradas estratégicas para o Oeste.
“Como senador da República, quero estar em Brasília para atuar, destravar esses investimentos, para que a Bahia possa prosperar e dar oportunidade para o baiano melhorar de vida”, afirmou.

