Mais de 1,2 mil candidaturas nas eleições de 2026 tiveram o registro indeferido pela Justiça Eleitoral até a noite desta terça-feira (16). Do total, 888 ainda estão em prazo para apresentação de recurso, enquanto outras 326 já tiveram o indeferimento confirmado de forma definitiva, segundo levantamento realizado pelo G1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os números mostram que a maior concentração de registros barrados está nas disputas proporcionais. São 561 candidaturas a deputado estadual e outras 494 a deputado federal.
Também aparecem na relação 73 candidaturas a primeiro ou segundo suplente de senador, 31 ao Senado, 24 aos governos estaduais, 19 a vice-governador e nove a deputado distrital. Na disputa pela Presidência da República, uma candidatura teve o registro indeferido. Não há, até o momento considerado pelo levantamento, candidatura a vice-presidente com registro indeferido. Um pedido, no entanto, ainda aguardava julgamento.
Embora mais de 1,2 mil registros tenham recebido decisões desfavoráveis, a maior parte dos casos ainda não está encerrada. As 888 candidaturas em fase recursal representam aproximadamente 73% do total de indeferimentos identificado no levantamento.
Isso significa que a situação desses candidatos ainda pode mudar a depender das decisões tomadas nas instâncias seguintes da Justiça Eleitoral.
Entre os casos de maior repercussão está o de Pablo Marçal (PRTB), que teve o registro para disputar a Presidência indeferido pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa.
Também aparecem entre as candidaturas barradas as de Anthony Garotinho (Republicanos), ao Governo do Rio de Janeiro; José Roberto Arruda (PSD), ao Governo do Distrito Federal; e Eduardo Cunha (Republicanos), que tenta uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. A distribuição apresentada pelo levantamento é a seguinte:
- Deputado estadual: 561;
- Deputado federal: 494;
- Suplentes de senador: 73;
- Senador: 31;
- Governador: 24;
- Vice-governador: 19;
- Deputado distrital: 9;
- Presidente: 1.
Entre as legendas, o DC concentra o maior número absoluto, com 185 registros indeferidos. Na sequência aparecem Democrata, com 154; Agir, com 144; e Mobiliza, com 134. Somadas, as quatro siglas concentram 617 candidaturas barradas, pouco mais da metade do total identificado.
O PCO aparece com 70 registros, correspondentes a 42% das candidaturas apresentadas pelo partido. Desses casos, 69 ainda estavam em fase de recurso. Avante registra 64 candidaturas indeferidas, enquanto PSOL tem 45 e PSDB, 42.
O registro de candidatura é a etapa na qual a Justiça Eleitoral verifica se o postulante cumpre as exigências estabelecidas pela legislação para participar da eleição. O procedimento considera condições de elegibilidade, documentação apresentada e eventuais pedidos de impugnação. Entre os casos analisados no levantamento, o motivo mais frequente foi o desatendimento a requisito formal, registrado 412 vezes.
Em seguida aparecem a ausência de condição de elegibilidade, com 365 ocorrências, e o indeferimento do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), com 314. O documento é utilizado pelos partidos e federações no processo de formalização das candidaturas perante a Justiça Eleitoral.
Também foram identificados 112 casos de ausência de quitação eleitoral, 110 de inelegibilidade infraconstitucional, 90 relacionados ao descumprimento da cota de gênero e 52 por falta de desincompatibilização. Uma mesma candidatura pode apresentar mais de uma irregularidade. Por esse motivo, a soma das ocorrências por motivo de indeferimento é superior ao número total de candidatos barrados.
A incidência das decisões também varia entre as unidades da Federação. O Piauí apresenta a maior proporção de candidaturas indeferidas, com 20,9% dos registros, índice superior ao de São Paulo, segundo colocado, com 12,9%. Na sequência aparecem Sergipe, com 9,2%; Rio de Janeiro, com 7,8%; e Pernambuco, com 7,2%.
No extremo oposto, Mato Grosso do Sul apresenta o menor percentual, com 1,4%. Ceará aparece com 1,8%, enquanto Espírito Santo e Rondônia registram 2% cada. Em Santa Catarina, a proporção é de 2,3%.
Os números ainda podem sofrer alterações em razão dos recursos pendentes e dos processos que continuam sob análise da Justiça Eleitoral. O próprio TSE mantém atualizados os dados das candidaturas de 2026 em sua base pública, que reúne informações sobre registros, partidos, coligações e situações dos postulantes.

