A candidata ao Senado, Professora Delliana (PSOL), reagiu, nesta terça-feira (15), ao discurso de setores da esquerda baiana que defendem a concentração de votos em candidaturas petistas para evitar o avanço de João Roma (PL) na disputa pelas duas vagas da Bahia. A psolista rejeitou a tese do chamado “voto útil” e afirmou que pretende manter sua candidatura como uma alternativa dentro do próprio campo da esquerda.
A discussão ganhou espaço na campanha em meio ao desempenho de Delliana nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento Real Time Big Data divulgado em 9 de setembro, a candidata aparece com 6% no resultado consolidado dos dois votos. Separadamente, registra 5% nas intenções para o primeiro voto e 7% para o segundo.
Delliana argumenta que a existência de duas vagas em disputa permite ao eleitor apoiar diferentes candidaturas e contesta a interpretação de que um voto destinado a ela representaria necessariamente perda de espaço para outro nome da esquerda.
Nas eleições deste ano, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes ao Senado. Os dois mais votados na Bahia serão eleitos, sem realização de segundo turno para o cargo.
A candidata do PSOL sustenta que o eleitor deve decidir entre os projetos apresentados sem ser pressionado a abandonar uma candidatura por cálculos eleitorais feitos por outros grupos políticos.
Para Delliana, o discurso sobre o voto útil ganha força de maneira seletiva quando candidaturas de esquerda fora do PT avançam na disputa. Ela defende que sua permanência na eleição amplia as opções disponíveis dentro do campo progressista.
“Não aceito essa lógica do medo. Sou candidata para representar a esquerda raiz, não para desistir porque alguém decidiu que minha candidatura é um problema. Votar na nossa candidatura é garantir a mudança da fotografia do Poder; é garantir uma mulher neste espaço de Poder decidindo sobre a nossa vida”, diz Professora Delliana, rebatendo diretamente a tentativa de deslegitimar sua candidatura.
O posicionamento não altera o apoio declarado da candidata à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Delliana, no entanto, afirma que a aliança em torno da candidatura presidencial não deve eliminar as diferenças existentes entre os partidos e projetos que compõem a esquerda.
“defender Lula não significa abrir mão da minha autonomia, das minhas ideias ou da esquerda que eu represento. Meu apoio nunca foi um cheque em branco, e minha candidatura não é uma concessão que alguém possa cobrar de volta”, sentencia.
Delliana também relaciona a defesa da candidatura à representação de mulheres nos espaços de poder. Única mulher entre os nomes apresentados no material para a disputa das duas cadeiras baianas, a candidata afirma que sua presença na eleição também representa uma tentativa de ampliar a participação feminina no Senado.
Ao tratar das críticas à sua candidatura, a psolista associou os questionamentos às dificuldades enfrentadas por mulheres negras para ocupar posições políticas de destaque. “A gente já sabe como funciona. Mulher negra raramente é a preferida, e quando ocupa espaço, vem sempre alguém dizer que aquele não é o lugar dela. Não é diferente agora, e eu não vou aceitar isso calada. Se o que está ai não está bom, não vai ser votando nos mesmos que a gente vai conseguir mudar”.
Na história política baiana, Lídice da Mata (PSB) já ocupou uma cadeira no Senado. A atual deputada federal exerceu o mandato de senadora pela Bahia antes de deixar a disputa pela reeleição em 2018, quando a composição política do grupo governista abriu espaço para a candidatura de Angelo Coronel.
A pesquisa Real Time Big Data divulgada em 9 de setembro colocou Rui Costa (PT) com 26% das intenções de voto no cenário consolidado. Jaques Wagner (PT) apareceu com 19%, João Roma (PL) com 17% e Angelo Coronel (Republicanos) com 15%. Delliana registrou 6%. Quando consideradas separadamente as duas escolhas para o Senado, Delliana alcançou 5% no primeiro voto e 7% no segundo.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores da Bahia entre os dias 4 e 8 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BA-01568/2026.

