O senador e candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), reagiu, nesta quarta-feira (16), ao discurso de mudança adotado pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) na campanha ao Governo da Bahia e afirmou que o projeto apresentado pelo ex-prefeito de Salvador representa, na avaliação dele, um “retrocesso”. Durante sabatina na Rádio Metrópole, o petista recorreu a comparações com o carlismo e chegou a chamar o adversário de “escorpião”.
Wagner relacionou a candidatura de Neto ao grupo político comandado durante décadas pelo ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Para o senador, as práticas que atribui a esse período da política baiana são incompatíveis com a ideia de mudança apresentada atualmente pela oposição.
“Ele é escorpião, espera para lhe dar uma ferrada”
Na sequência, Wagner argumentou que a chegada do PT ao governo estadual representou uma ruptura com o modelo político anterior e afirmou que vê características semelhantes na postura adotada pelo ex-prefeito de Salvador. “Eles, na verdade, são retrocesso. Acabamos de dizer que o PT terminou com 40 anos de carlismo, um sistema duro, pesado, de chicote e intimidação. Qual é a postura do ex-prefeito? Exatamente essa”, criticou.
Ao aprofundar a crítica, o senador afirmou que a mudança de grupo político no comando do estado abriu um novo período na política baiana. Wagner sustentou que a população não pretende retomar práticas que ele associa ao carlismo e voltou a relacionar Neto ao avô.
“Qual é o partido político que cresceu ao lado do ex-prefeito da capital? Ele é igualzinho ao avô. É mandacaru, não dá sombra nem encosto. Ele quer bater na mesa, quer gritar. Não cabe mais isso. A democracia se impôs na Bahia e no Brasil, por isso ele é atrasado.”
Além das críticas ao perfil político do adversário, Wagner questionou propostas apresentadas por ACM Neto durante a campanha. O senador usou as áreas de saúde e segurança pública para comparar as administrações estaduais comandadas pelo PT com a passagem do candidato do União Brasil pela Prefeitura de Salvador.
Na área da saúde, Wagner afirmou que os governos petistas ampliaram a estrutura hospitalar da Bahia e citou as entregas realizadas durante a gestão de Jerônimo Rodrigues. Em contraponto, questionou o número de hospitais construídos por Neto durante os oito anos em que esteve à frente da capital baiana.
“Que mudança ele quer trazer para a Bahia? A que ele fez na saúde de Salvador? Porque nós fizemos 56 hospitais. Só Jerônimo entregou 15. Ele fez quantos hospitais em Salvador? Um e, mesmo assim, de porta fechada, que não tem emergência.”
O senador também levou a comparação para a segurança pública. Wagner citou o uso de câmeras com tecnologia de reconhecimento como uma das ações adotadas pelo governo estadual e afirmou que mais de 6 mil pessoas já foram presas a partir da utilização do sistema. Segundo ele, 1,8 mil dessas prisões ocorreram neste ano.
Ao falar sobre Salvador, Wagner questionou o cumprimento de uma promessa feita por ACM Neto para ampliar o efetivo da Guarda Civil Municipal durante sua passagem pela prefeitura. “Nós já prendemos desde o começo das câmeras criptografadas mais de 6 mil pessoas. Só esse ano, foram 1,8 mil. O cara precisa mostrar o que ele fez para dizer que vai fazer melhor. E o que é que ele fez com a guarda municipal de Salvador? Se elegeu prometendo levar o efetivo para 3.000 guardas e contratou apenas 20”, constatou.

