A presidente do PT Salvador, Ana Carolina, afirmou, nesta terça-feira (8), que a associação entre o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) e do candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL), nos materiais de campanha vistos durante as comemorações do 7 de Setembro, em Salvador, “escancaram a aliança” entre os grupos políticos ligados ao carlismo e ao bolsonarismo na Bahia.
Na avaliação da dirigente petista, a exposição conjunta dos dois políticos contrasta com a tentativa de ACM Neto de se apresentar como uma candidatura independente do bolsonarismo. Ana Carolina também questionou o apoio declarado pelo ex-prefeito ao ex-governador de Goias, Ronaldo Caiado (PSD), na disputa presidencial.
“ACM Neto não pode mais esconder quem é o candidato dele à Presidência. Os materiais de campanha ao lado de Flávio Bolsonaro deixam claro que existe uma identidade política e eleitoral com o bolsonarismo. Não adianta fingir que apoia Caiado enquanto mantém uma relação política tão próxima com a família Bolsonaro”, disse.
Ana Carolina também classificou ACM Neto como “o maior anti-Lula da Bahia” e afirmou que a composição política do ex-prefeito reúne forças identificadas com a extrema direita. Segundo ela, a presença do PL na chapa e a busca pelos votos do eleitorado ligado à família Bolsonaro reforçam essa aproximação. “ACM Neto tem uma chapa bolsonarista, conta com o tempo de televisão do PL, partido da extrema direita, e busca os votos dos eleitores dos Bolsonaros. Essa realidade está cada vez mais evidente para a população baiana”.
Para a presidente do PT Salvador, a relação entre ACM Neto e o grupo de Jair Bolsonaro não se resume à campanha eleitoral. Ana Carolina afirmou que há convergências entre os projetos defendidos pelos grupos e citou também o posicionamento do União Brasil no Congresso Nacional.
“Não estamos falando apenas de uma fotografia ou de uma aproximação circunstancial de campanha. Existe uma convergência de projetos, de alianças e de interesses políticos que precisa ser conhecida pelos baianos”, afirmou.
A dirigente petista voltou a mencionar os materiais produzidos para o 7 de Setembro como evidência da aproximação e disse que a exposição ao lado de Flávio Bolsonaro dificulta, na avaliação dela, a tentativa de apresentar ACM Neto como independente do bolsonarismo. “Quando chega o momento de escolher seus aliados e apresentar seu campo político, ACM Neto mostra de que lado está. Ele pode tentar mudar o discurso, esconder alianças ou apresentar outras justificativas, mas os fatos estão diante da população. O carlismo e o bolsonarismo estão cada vez mais próximos na Bahia”, afirmou.
Ana Carolina também afirmou que a eleição para o governo da Bahia deve apresentar aos eleitores uma distinção entre os projetos políticos em disputa. Na avaliação dela, o grupo liderado pelo PT representa a continuidade de políticas públicas e de uma agenda de desenvolvimento, enquanto ACM Neto estaria alinhado a forças políticas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A Bahia precisa saber quem são os aliados de cada candidatura, quais interesses estão por trás das alianças e qual projeto será colocado em prática. ACM Neto precisa assumir sem disfarces o campo político que representa”, concluiu.

