O salário mínimo no Brasil deve sofrer um reajuste de 7,4% em 2027, passando de R$1621 para R$1741, de acordo com o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), apresentado nesta segunda-feira (31).
O valor representa um acréscimo de R$ 24 em relação à estimativa feita inicialmente em abril, que era de R$ 1.717.
O novo piso passará a valer em 1º de janeiro de 2027 e, até lá, ainda pode sofrer novas variações. Em valores absolutos, o ajuste é de R$ 120.
A previsão de aumento no salário mínimo já havia sido confirmada publicamente pelo ministro Dario Durigan (Fazenda) na semana passada, após uma reunião com o presidente e ministros da área econômica no Palácio do Planalto para discutir os números do Orçamento de 2027 —o primeiro da gestão do presidente eleito.
Em meio à campanha eleitoral, o ministro da Fazenda ressaltou as diferenças entre a política de valorização do salário mínimo em vigor, que garante ganhos acima da inflação, e os reajustes só pela variação de preços praticados no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O Orçamento está muito bem encaminhado, com o salário mínimo definido, e muito diferente do que outros ministros já defenderam. Lembrando que o ex-ministro [da Economia] Paulo Guedes defendeu a desvinculação do [salário] mínimo da Previdência. Lembrando que foi o governo anterior que não deu reajuste para o trabalhador brasileiro, que voltou a pagar Imposto de Renda, não teve reajuste do salário mínimo, teve mais pobreza, fila do osso. E aqui é outro papo, nós estamos falando de uma administração que tem compromisso com as pessoas”, afirmou o ministro na ocasião.
A estimativa para o piso em 2027 segue a fórmula de correção da política de valorização aprovada em 2023 e que inclui reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes (neste caso, 2025).
O salário mínimo é baliza para uma série de despesas obrigatórias do Poder Executivo, como aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Sua correção interfere diretamente em algumas das despesas mais relevantes do Orçamento Federal.
Segundo estimativas do governo feitas em abril, cada R$ 1 adicional no salário mínimo gera uma despesa extra de R$ 413,2 milhões. Isso significa que só a revisão do piso vai gerar uma pressão extra de R$ 9,9 bilhões em despesas obrigatórias no Orçamento de 2027.

