O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), anunciou, nesta segunda-feira (31), o programa Renova Baixa dos Sapateiros, que reúne ações para revitalizar a região do Centro Histórico entre a Avenida José Joaquim Seabra e o final de linha da Barroquinha. A iniciativa prevê a recuperação de cerca de 250 fachadas, incentivos fiscais, qualificação e consultoria para empreendedores, além da realização de eventos e atividades culturais.
“Nós já temos o Renova Centro, que é um programa que atende a toda a poligonal do Centro Histórico, mas, para esta região específica da cidade, nós seremos ainda mais arrojados, com mais investimentos e incentivos fiscais. Vamos oferecer consultoria aos comerciantes e empreendedores locais para tentar identificar qual é a melhor atividade para o seu negócio, tentando colocar em funcionamento empresas que tenham produtos diferenciados, para atrair o cidadão de volta à Baixa dos Sapateiros. E vamos realizar uma série de atividades culturais e de negócios para atrair mais pessoas para cá”, explicou o prefeito.
Durante o anúncio, Bruno Reis assinou a ordem de serviço para o início do projeto Fachadas da Memória, que prevê a recuperação, valorização e preservação das edificações históricas localizadas entre a Avenida J.J. Seabra e a Barroquinha. Elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e executado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), o projeto terá investimento de cerca de R$ 7 milhões.
A Prefeitura pretende associar a recuperação dos imóveis a um pacote de incentivos fiscais para estimular a atividade econômica na região. As medidas incluem isenção do IPTU por cinco anos, redução do ISS e isenção total da Taxa de Fiscalização do Funcionamento (TFF), seguindo o modelo adotado pelo programa Renova Centro.
A expectativa da gestão municipal é contribuir para a retomada do comércio em uma das áreas tradicionais de Salvador.
Além dos incentivos, a Prefeitura vai oferecer serviços de qualificação e consultoria para empresários locais. A gestão também pretende buscar novos empreendedores e negócios com produtos e serviços diferenciados para diversificar as atividades econômicas na Baixa dos Sapateiros e na Barroquinha.
O programa também prevê a realização de eventos culturais, comerciais e de negócios, como convenções e festivais, para ampliar o fluxo de pessoas na região. A estratégia segue ações adotadas no Pelourinho e na Rua Chile.
A Prefeitura pretende utilizar equipamentos municipais, como o Mercado de São Miguel, para receber atividades voltadas à movimentação e à reocupação popular da região.
O projeto Fachadas da Memória tem como objetivo recuperar a parte frontal dos imóveis da Baixa dos Sapateiros e do final de linha da Barroquinha. Segundo a Prefeitura, a iniciativa considera que as fachadas e os elementos arquitetônicos da região fazem parte da história e da identidade cultural de Salvador e da Bahia.
“Vimos muitas empresas e negócios fechando as portas na Baixa dos Sapateiros. Então, pensamos: de que forma poderíamos dar a nossa contribuição através da Sedur? Por meio desse trabalho de releitura das fachadas das edificações. A partir disso, as nossas equipes foram a campo buscar informações sobre os imóveis. Todos que atuam naquela região estão muito desejosos do sucesso desse projeto, porque sabem que isso pode se desdobrar em outras realidades, inclusive desdobramentos econômicos”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Sosthenes Macêdo.
Segundo Sosthenes, a Baixa dos Sapateiros e a Barroquinha foram escolhidas para receber inicialmente o projeto devido à relevância histórica e à tradição do comércio popular. A definição também levou em consideração avaliações realizadas pela FMLF e pela Defesa Civil de Salvador (Codesal).
“A Baixa dos Sapateiros é uma região muito simbólica para a cidade, cantada em verso e prosa. Esse é, realmente, um momento muito oportuno para resgatarmos este espaço que, entre as décadas de 1970 e 1990, foi um grande polo, um grande mercado de Salvador. A ideia é recuperar as fachadas das edificações com iniciativas de desenvolvimento econômico, artístico e cultural, reunindo esforços de diferentes secretarias para movimentar a região. Portanto, o programa integra uma série de ações planejadas pela Prefeitura nos últimos anos para a retomada do Centro Histórico de Salvador”, afirmou o titular da Sedur.
A elaboração do projeto envolveu o levantamento e a catalogação dos imóveis da região. Em seguida, foram realizadas pesquisas em bases de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e na bibliografia do acervo da Biblioteca da Fundação Mário Leal Ferreira.
A segunda etapa incluiu o registro fotográfico dos imóveis, o desenho digital das fachadas e um estudo das cores utilizadas em cada edificação. De acordo com a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield, a recuperação das fachadas deve contribuir para resgatar características históricas da região.
“Além da harmonia visual, resgata-se a beleza e a dinâmica da rua. O programa também preserva o patrimônio com as suas características que foram perdidas pelo desgaste do tempo e pela colocação dos engenhos publicitários que cobrem essas fachadas. A ideia é recuperar a arquitetura das fachadas, trazendo visibilidade e luz à Baixa dos Sapateiros, tão rica de história”, disse.

