O estrategista de comunicação política e candidato a deputado federal Leno Assis (PSDB) defendeu, durante entrevista ao podcast Aqui Só Política, nesta quarta-feira (19), a possibilidade de associação entre o voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República e em ACM Neto (União Brasil) para o governo da Bahia, o chamado voto “LuNeto”.
Durante a conversa com a jornalista Cíntia Kelly, Leno afirmou que, apesar de ter mudado para o lado de Neto, não alterou suas convicções políticas e que continua sendo uma pessoa de centro-esquerda. Segundo ele, a mudança foi de posicionamento eleitoral na disputa pelo governo da Bahia, motivada por críticas à condução do PT no estado e à gestão do governador Jerônimo.
“Eu sou uma pessoa da comunicação política, do marketing político. Fui militante político no passado, sou uma pessoa de centro-esquerda, não sou necessariamente um petista, já fui do PT há muitos anos, mas sou uma pessoa de concepção política de centro-esquerda, não mudei”, declarou.
Leno também afirmou que pretende votar em Lula para presidente, embora tenha ressalvas em relação ao atual cenário eleitoral. “Voto em Lula para presidente da República, até meio contrariado, gostaria de ter outra opção”, disse.
Ao explicar sua filiação ao PSDB, o candidato afirmou que buscava uma legenda que rompesse com a polarização política.
“Eu queria entrar num partido que rompesse com essa coisa da polarização. Me filiei ao PSDB na ideia de que o PSDB tivesse um candidato à Presidência da República.”
Leno diz que Adolpho Loyola governa a Bahia no lugar de Jerônimo
Ao justificar sua aproximação com o grupo de ACM Neto, o candidato à Câmara dos Deputados fez críticas à gestão atual do PT na Bahia e afirmou que o governador não teria demonstrado, até o momento, protagonismo na liderança do Executivo estadual.
“Eu estava muito crítico em relação a algumas posturas do PT da Bahia durante o governo Jerônimo. Não é uma crítica pessoal ao governador Jerônimo Rodrigues, mas eu acho que o PT, em 20 anos de poder na Bahia, se ‘encastelou’ no poder e trata o Estado como se fosse propriedade privada dele”, declarou.
Na avaliação do estrategista, o desgaste acumulado pelo PT baiano teria recaído sobre Jerônimo. “Jerônimo é desgastado, Jerônimo não mostrou realmente a que veio em termos de gestão. Eu acho que ele deixou muito a desejar”, pontuou o candidato.
Leno também apontou o secretário de Relações Institucionais do Estado Adolpho Loyola como o principal articulador da administração. Segundo ele, Loyola seria responsável por centralizar as articulações políticas do governo com secretários, prefeitos e deputados.
“Adolpho Loyola hoje é quem bate o escanteio e vai para a área para cabecear, porque Adolpho é quem faz a política do governo dentro do governo.”
Em seguida, afirmou: “Os secretários, prefeitos e deputados despacham com Adolpho. Então o governador da Bahia, de fato, é Adolpho Loyola. Não é Jerônimo”, destacou.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política.

