Durante o debate entre os candidatos ao governo da Bahia, realizado neste domingo (9), Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que “tem feito o seu papel” na área da segurança pública. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre os índices de violência no estado e sobre a implantação de câmeras corporais nos uniformes da Polícia Militar.
A pergunta mencionou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e afirmou que cinco cidades baianas estão entre as mais violentas do país. Também foi questionado o fato de que, segundo o Ministério Público da Bahia, apenas 7% da tropa utilizaria câmeras corporais — equipamento que teria sido citado como promessa na campanha anterior de Jerônimo.
Em resposta, Jerônimo defendeu os investimentos feitos durante sua gestão, citou concursos para as polícias Militar e Civil, a entrega de viaturas e a construção de delegacias e pelotões. Sobre as câmeras corporais, afirmou que a universalização do equipamento não estava prevista em seu programa de governo de 2022, mas disse que continuará ampliando o uso.
“O tema da segurança pública é um tema internacional. Antes que o candidato [ACM Neto] diga que eu estou fugindo da conversa, eu vou dizer que tenho feito o meu papel. Enquanto governador do estado, eu tenho investido muito. Se quiser ver e saber se um governo ou um governante tem aquele tema como prioridade, olhe o orçamento executado na pasta. Olhe o orçamento executado aqui no estado em segurança pública. Nós estamos falando de concursos novos. Inclusive, estão em aberto dois concursos: um preparando para o final do ano, ou início do ano que vem, para a PM. E o outro em curso, já para a Polícia Civil. Nós estamos falando de pessoas, de recursos humanos”, disse Jerônimo e completou:
“[…] Tenho feito a parceria com os municípios e sei também que a segurança pública, que eu tenho como prioridade em meu governo e vai continuar sendo, não é só com polícia. Com polícia forte e firme. Eu não passo a mão na cabeça de criminoso. Criminoso bom, para mim, é o criminoso preso, entregue à Justiça. Preciso que a gente possa acreditar no presidente Lula na criação de um Ministério da Segurança, que possa criar um sistema único de segurança pública e, naturalmente, a parceria com a ocupação dos territórios, com escolas, com creches, além disso, com a parceria com as prefeituras municipais.”
Em comentário, ACM Neto critica Jerônimo e apresenta propostas para a segurança
No comentário, ACM Neto afirmou que Jerônimo teria criado uma “realidade paralela” ao responder à pergunta e criticou o fato de o governador ter mencionado a segurança pública como um problema internacional. Neto prometeu criar uma “governadoria da segurança” e disse que pretende integrar as polícias, investir em tecnologia, melhorar as condições de trabalho dos agentes e isolar chefes de facções criminosas em presídios de segurança máxima.
“Esse debate está sendo muito bom porque fica claro qual é a diferença minha para Jerônimo Rodrigues. Na verdade, ele criou uma realidade paralela. Tem gente até na internet que fala que é o sabor governador. Porque, quando ele foi perguntado, a primeira resposta que ele deu, vocês ouviram da boca dele, a primeira resposta que ele deu foi que esse era um problema internacional. Ele sempre faz isso: o problema é do prefeito, o problema é de Lula, o problema é internacional. O problema só não é dele, governador. […] O meu presídio vai punir o bandido, vai isolar a facção. E, é claro, nós vamos trabalhar para que todo um conjunto de medidas sociais que você negligenciou, que você fechou os olhos, tenham efetividade, principalmente em relação ao jovem, que é a maior vítima da violência”, destacou Neto em debate realizado pela Rede Bandeirantes, em Salvador, que também teve a participação de Ronaldo Mansur (PSOL).

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

