Por Anderson Luis
Mesmo tendo entrado na mira da Polícia Federal, após se tornar alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18), o senador Jaques Wagner (PT-BA) descartou desistir da pré-candidatura à reeleição ao Congresso.
“Em relação à minha candidatura, está absolutamente mantida. Eu estou muito seguro de tudo que eu fiz, estou muito seguro da minha vida pessoal. Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF, não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento, que é o apartamento que eu moro, e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio e está declarado no Imposto de Renda, então minha candidatura se mantém”, disse em entrevista à BandNews.
O líder do governo Lula (PT) no Senado também minimizou o impacto da investigação ao relembrar que foi alvo de um mandado de busca e apreensão em 2018. Na ocasião, a PF suspeitou que ele teria recebido R$ 82 milhões desviados de obras do estádio da Fonte Nova.
“Você deve se lembrar que, em 2018, quando eu também fui candidato ao Senado, teve uma busca e apreensão na minha casa por conta da Fonte Nova. Em 18 de fevereiro, eu fui candidato, mantive minha candidatura e fui o senador mais bem votado da história da Bahia. Não estou dizendo que isso vai se repetir, mas eu não tenho por que retirar minha candidatura”, afirmou.
Conversa entre Wagner e Lula por telefone
Wagner também revelou ter conversado com o presidente Lula por telefone, que entrou em contato para prestar solidariedade. Após a ligação, ele avaliou que deve se manter na liderança do governo no Senado.
“Minha candidatura está mantida. A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Fez questão de me ligar, se solidarizar comigo, e ele, que já teve problemas até maiores do que esse, como eu tive. Mas ele muito pior, que foi preso e depois inocentado, agora está aí como presidente da República”, descreveu e completou:
“Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas, se ele fizer, é um direito dele, o cargo é do presidente da República, o cargo de líder do governo, mas eu falei com ele hoje, ele sequer tocou nesse tema, então, na minha opinião, ele vai me manter.”
Operação Compliance Zero
A Polícia Federal investiga se o senador Jaques Wagner recebeu como vantagem um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões. A apuração integra a nova fase da Operação Compliance Zero, que também tem entre os alvos o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Segundo a investigação, Wagner enviou a Augusto Lima, em novembro de 2024, informações sobre o imóvel, incluindo o valor da unidade, dados do empreendimento e o contato de um gerente da construtora.
Os investigadores apuram se a aquisição foi realizada por meio de estruturas societárias e financeiras ligadas ao grupo investigado para viabilizar a operação.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

