Por Anderson Luis
O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, reagiu nesta sexta-feira (29) à classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo dos EUA.
Durante a cerimônia de recebimento da Comenda 2 de Julho na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), defendeu a validade da decisão do governo de Donald Trump, desde que não influencie na soberania nacional do Brasil.
“Primeiro a gente tem que desdobrar, ver como vai acontecer, quais desdobramentos disso a partir dessa decisão dos Estados Unidos. Independentemente desse desdobramento dos Estados Unidos, o que a gente tem que estar atento para que esse desdobramento não interfira de nenhuma forma a soberania nacional. Acho que esse é um ponto crucial. Se esse desdobramento vier para fortalecer ainda mais a integração, que tem que existir entre os diversos entes internacionais, diversos países — como a gente vem fortalecendo e demonstrando aqui, quando conseguimos capturar junto com a polícia da Bolívia seis foragidos da justiça baiana — a gente espera, entendendo que as facções têm uma complexidade interestadual e internacional. É sim, fortalecer as ações e os mecanismos contra elas, inclusive no que tange a lavagem de capitais, a medidas realmente de compartimentação, de investigação, de dados de inteligência. Se essa classificação vier com esse propósito, respeitando a soberania nacional […] aqui na nossa Ceara o que a gente espera é continuar fazendo o combate e que essa ou qualquer outra medida, de qualquer outro país, diante da dinâmica internacional, se fortaleça”, afirmou.
O Secretário também comentou a queda de 9,8% em homicídios em 10 anos no estado e destacou os investimentos em segurança feitos pela gestão nos últimos três anos.
“Bem, a gente vem realizando, ao longo desses três anos e cinco meses, muitos investimentos, muitas ações de inteligência e operação. Hoje o policiamento orientado pela inteligência é uma política pública que foi adotada. Tivemos aí o avanço com a chegada de quase 10 mil novos profissionais de segurança pública ao longo desses 3 anos e 5 meses. Tivemos duas reestruturações que inclusive fortaleceram a estrutura da Polícia Militar e da Polícia Civil, em especial no interior do Estado, entendendo a dinâmica criminal. Tivemos ao longo desse período, e só exemplificando, fazendo um recorte desse ano, 300 operações integradas realizadas, redução em todos os índices criminais de forma progressiva de 2023 até o presente ano. Fazendo um destaque de 2026 para 2025 a redução de 20% dos crimes violentos letais e intencionais de 2025 para 2024, a redução de 13% também nesse índice. Aumento do número de prisões, de armas de fogo e drogas apreendidas no Estado.
Warner revela que o governo está ciente dos pontos de melhoria na área da segurança e projeta avanços no futuro.
“Ou seja, a gente percebe e demonstra que não está havendo falta de trabalho. Que nós temos um caminho, temos uma diretriz a ser adotada. Seja em razão das ações já diretas da segurança pública, sejam as ações de política de Estado. […] Tudo isso vai se somar para que esse processo de melhora seja continuado. Somos muito conscientes de que temos muito a fazer ainda. Isso aí é uma coisa que fica muito clara, muito transparente na nossa fala, no nosso acompanhamento. Mas temos sim, ao longo de três anos, avançado dos mais diversos tipos. Seja na melhoria da minha estrutura, com mais policiais, com mais armamento, com mais viaturas, com mais operações policiais. E logicamente isso faz com que a gente tenha reduzido não só os crimes de mortes violentas, que eu citei anteriormente, mas também obtido patamares de redução de crimes importantes, como roubo de veículos, roubo a ônibus e a instituições bancárias, que estamos há um ano e cinco meses sem qualquer tipo de evento dessa natureza no nosso estado.”

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

