A viagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Portugal no início de julho, a bordo de um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB), gerou gastos públicos de US$ 10,9 mil (cerca de R$ 60,9 mil) apenas com diárias da tripulação. A informação foi obtida pelo blog de O Globo, via Lei de Acesso à Informação (LAI), e gerou questionamentos sobre o uso de recursos públicos em meio ao discurso de austeridade fiscal defendido por Motta.
O parlamentar participou do Fórum de Lisboa conhecido informalmente como “Gilmarpalooza” acompanhado de outros seis passageiros, incluindo o ex-presidente da Câmara Arthur Lira. No entanto, tanto a Câmara quanto a FAB se recusaram a divulgar os nomes dos demais ocupantes da aeronave, alegando “motivos de segurança” e respaldo legal para manter as informações em sigilo. O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu um processo para investigar a recusa da Câmara em divulgar os dados.
A aeronave utilizada foi um E-135 Legacy (VC-99B), com capacidade para 12 passageiros, que fez escala em Cabo Verde na ida e na volta. Apesar do pedido feito via LAI, a Aeronáutica não informou os gastos com combustível e tampouco a quantidade de militares envolvidos no voo, alegando que esses dados são considerados estratégicos e protegidos por sigilo de até cinco anos. Para a ONG Transparência Brasil, a omissão é grave e fere o direito constitucional à informação.

