Por Anderson Luis
A Câmara Municipal de Salvador debateu, nesta segunda-feira (20), Dia do Comerciário, sobre o cenário atual do Centro de Abastecimento da Bahia na capital. Esteve presente, na tribuna popular do plenário Cosme de Farias, o representante da Associação dos Permissionários da Ceasa, Márcio Roberto.
O representante alertou que, apesar de ter feito reivindicações de melhorias para o comércio da região ao governo do estado, não obteve respostas.
“Na oportunidade em que aqui estive, fiz uma solicitação à bancada do Partido dos Trabalhadores para interceder pelos trabalhadores da Ceasa e dos mercados, mas essa solicitação ou não foi entendida ou não foi ouvida, porque o efeito foi zero. Desde a última vez que aqui estive, não houve nenhuma resposta sobre algum intento de melhorar a Ceasa e fazê-la voltar a resplandecer”, disse.
Márcio Roberto também apontou para a importância da manutenção dos empregos já existentes na Bahia e cobrou mais efetividade do Executivo estadual. “Nós vemos o mesmo partido alardeando a implantação de uma empresa que vai gerar em torno de 20 mil empregos na Bahia. Isso é importante, mas em detrimento de quê? E os empregos que já existem? Na Ceasa são incontáveis os empregos diretos e indiretos, não é importante também dar assistência a esses empregos já existentes? No final do processo, quando conseguir se estabelecer esses 20 mil empregos, quantos serão perdidos no processo?”, completou.
O vereador Hamilton Assis (PSOL) saudou o representante da Ceasa, endossou a fala sobre a degradação do espaço comercial e indicou a necessidade de um debate público com representantes do governo da Bahia e de Salvador. Além disso, o edil apontou a “cultura dos atacadões” como um dos fatores que contribuem para o desgaste do setor na capital.
“De fato, são muitos os problemas em torno da Ceasa que temos observado. Eu, particularmente, frequento a Ceasa do Ogunjá e percebo o descaso em que aquele equipamento se encontra. Salvador tem 27% da sua população vivendo em insegurança alimentar, e nós temos um projeto tão potente com um equipamento como esse, que está se degradando, mas poderia estar ofertando alimentos para a população de forma gratuita. No entanto, enfrentamos esse problema. Está se privilegiando a cultura dos atacadões e supermercados, que está acabando com as nossas feiras e mercadinhos de bairro. Os produtos estão cada vez mais caros, já que somente os grandes empreendedores conseguem acessar, através de compras para abastecer os seus ‘mercadões’, deixando esses pequenos mercados passar por uma dificuldade muito grande por não poder concorrer com isso”, comentou Hamilton.
Já o vereador Cezar Leite (PL) citou o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, do governador Jerônimo Rodrigues (PT), para ironizar o posicionamento da gestão estadual diante da situação da Ceasa. “O cara não consegue trazer estrutura e fazer gestão para a Ceasa — que leva comida para a mesa do povo — e insiste em falar de ponte. O governo do estado não tem nenhum tipo de qualificação técnica e conhecimento. Impostos e taxas caríssimas, sem estrutura nenhuma.”

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

