Por Anderson Luis
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, voltou a se defender de acusação de envolvimento com o caso Master durante o seu mandato no governo da Bahia. Em entrevista ao GobloNews nesta terça-feira (31), o ex-governador culpou a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.
Rui privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 pelo ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima. Ele saiu do Master em 2023, levando o Credcesta, um dos ativos inclusos no leilão de Rui Costa, cartão de compras voltado para servidores.
O ministro explicou a origem da rede de supermercados na gestão de Antônio Carlos Magalhães e afirmou que a transação foi uma tentativa de livrar o estado da divida gerada pela estatal.
“Com relação à venda da rede de supermercado da Bahia, eu não sei se você sabia, mas Antônio Carlos Magalhães, na época que foi governador, brigou com o dono da maior rede de supermercado da Bahia, que se chamava Paes Mendonça. E nessa briga ele resolveu tentar quebrar o Paes Mendonça e criou um supermercado estatal, chamado de Cesta do Povo. E junto com esse supermercado, criou um cartão para que os servidores pudessem comprar nas lojas com esse cartão e descontar na folha de pagamento. […] Anos após anos deu prejuízo. Wagner entrou, trocou diretoria e continuou dando prejuízo. Quando eu entrei, ‘isso aqui não vai para lugar nenhum, precisa vender’. Dava mais de 100 milhões. Wagner já tinha fechado centenas de lojas e continuava dando prejuízo. Quando eu entrei disse ‘que a gente precisa vender isso daqui’. Porque o povo da Bahia, na sua maioria, é um povo de baixa renda. pobres que não podem pagar mais de 100 milhões todo ano de prejuízo de um supermercado falido’, contou.
Rui consta também reforçou não ter culpa nos desdobramentos do Caso Master após a venda do CredCesta para Augusto e isentou a sua gestão da responsabilidade de fiscalizar movimentações financeiras.
“Fizemos um primeiro leilão, não conseguimos vender. Fizemos um segundo leilão, não conseguimos vender. O terceiro leilão, com um fundo de investimento espanhol, articulado na época por Augusto Lima, foi comprado. Não foi Augusto Lima que comprou, foi o fundo de investimento espanhol do qual ele não era majoritário. Comprou um supermercado com mais de 100 lojas, e levou junto o cartão. Era o único valor que tinha naquilo, com a obrigação de manter algumas lojas funcionando por no mínimo 5 anos. E diante do que ele fez, não é problema meu, eu não sou fiscal do Banco Central. […] A responsabilidade de fiscalizar o sistema financeiro cabe exclusivamente ao Banco Central e nenhum governo do estado fiscaliza o funcionamento de agentes financeiros. O que nós vendemos foi um supermercado que tinha um cartão de compras, não era cartão de crédito na época. E o Banco Master nem existia’, concluiu.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

