O ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), avaliou, neste domingo (4), que a disputa presidencial permanece “em aberto”, inclusive quanto à possibilidade de segundo turno, mas demonstrou maior confiança no cenário estadual. Na Bahia, o petista afirmou que apostaria em uma vantagem de sete a oito pontos percentuais de Jerônimo Rodrigues (PT) sobre ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo governo.
Ao analisar a corrida presidencial, Rui afirmou que mesmo as pesquisas mais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicaram uma distância pequena para uma eventual definição no primeiro turno.
“Eu acho que tá em aberto, eu disse há pouco, eu acho que tá em aberto se vai ter ou não segundo turno, tá? As pesquisas mais favoráveis ao presidente Lula deram uma diferença de 2,5% para ter não ter segundo turno. Outras pesquisas deram 5%”.
Para o candidato ao Senado, fatores como abstenção e votos brancos e nulos tornam mais difícil antecipar o resultado a partir dos levantamentos. “Mas num cenário num país continental como o nosso, onde a abstenção costuma ser alta, o voto branco e nulo esse ano deve ser um pouco maior. Então isso tudo pode mudar muito o resultado da eleição, né? Porque nós estamos falando de voto válido. Quem vota nulo, quem vota em branco ou quem não vai votar, não influi no voto válido”.
Ao analisar a disputa estadual, Rui apresentou uma avaliação diferente. Segundo ele, a trajetória das pesquisas indicaria crescimento de Jerônimo e queda de ACM Neto na reta final da campanha. “Na Bahia eu acho que tá bem encaminhado, porque a trajetória é muito clara, é ascendente de Jerônimo e é descendente do seu adversário e portanto eu acho que tudo, eu apostaria aí em uma diferença para a favor de Jerônimo, de 7% a 8% pontos na frente”.
O ex-governador afirmou ainda que uma eventual estratégia para o segundo turno presidencial somente poderá ser definida após a apuração, a partir da identificação das regiões onde Lula teve maior ou menor desempenho e dos locais em que ainda haveria potencial de crescimento. “Da votação, aonde se foi mais votado, aonde se foi menos votado, aonde você vai eventualmente tenha potencial de crescer, isso depende das urnas. Então as urnas é que vão orientar se houver um segundo turno nacional, uma estratégia para atuar, depende do resultado da eleição”.
Questionado sobre avaliações de que a campanha deste ano teria sido “morna”, Rui discordou parcialmente. Para ele, houve menor engajamento da população no processo eleitoral, algo que teria sido identificado inclusive em uma pesquisa interna.
“Não diria que foi morna, mas ela vamos dizer assim que teve é um pouco menos de engajamento sim, isso é fato da população, até porque você tem essa semana nas pesquisas que eu vi, 40% essa semana não sabia dizer o nome de um candidato a senador”.
Segundo Rui, o levantamento para consumo interno também indicou baixo contato dos entrevistados com a propaganda eleitoral. “Nós fizemos uma para consumo interno, 40% não sabia, não sabia quem era o candidato, não sabia quem era, não sabia quem era ninguém, não sabia os outros. Ou seja, você está 4, 5 dias da eleição e 40% não sabe dizer o nome de um candidato, 60% dizia que não viu e não assistiu nenhuma propaganda na televisão de candidaturas, de políticos e nem viu na internet”.
Na avaliação do petista, parte do eleitorado teria deixado para buscar informações sobre os candidatos nos últimos dias antes da votação. “Ou seja, as pessoas meio que desligaram a chave assim disseram não, não quero saber disso não. E provavelmente quiseram saber ontem ou hoje, estão aí de ontem para hoje procurando saber quem são os candidatos para tomar uma decisão”.
Rui relacionou esse afastamento ao ambiente de ataques, ofensas e desinformação durante as campanhas. “Porque a política, quando ela fica muito na base do xingamento, de ofensa, de fake news, você afasta as pessoas. Ninguém gosta de briga, ninguém gosta de sujeira. As pessoas até gostam do debate acirrado, mas a maioria da população não gosta do xingamento, da fake news, das ofensas”.
O candidato ao Senado também comentou as críticas da oposição pela ausência de Jerônimo no último debate da Rede Bahia. Na ocasião, o governador optou por participar de uma caminhada com Lula, na Barra, em Salvador. Rui afirmou que a data da visita presidencial foi definida pela campanha nacional e que a chapa estadual precisou escolher entre a participação de Jerônimo no debate e a agenda com Lula.
“Não, eu acho que a questão de prioridade, a agenda de Lula é muito disputada e a nacional definiu que ele viria aqui na terça-feira. Era pegar ou largar, ou seja, ou a gente aceitava ou ele não viria para Bahia. Então nós tínhamos que escolher, ou Jerônimo ia para o debate ou ia para caminhada de Lula”.
Para Rui, a decisão de acompanhar o presidente foi acertada. “E é evidente que aí a opção é para ir para caminhada de Lula, eu diria que foi a maior manifestação política que eu já assisti, quase 200.000 pessoas na Barra e portanto eu acho que foi acertada”.
Rui também reagiu às cobranças feitas pela oposição pela ausência de Jerônimo e direcionou críticas a ACM Neto. Segundo ele, o ex-prefeito não teria legitimidade para questionar a decisão por não ter participado de debates no primeiro turno da eleição estadual de 2022. “E essas pessoas me desculpem, elas não tem legitimidade para falar de ausência em debate. Na eleição passada vocês acompanharam, ele não foi em nenhum debate no primeiro turno”.
Na sequência, Rui fez uma série de críticas ao desempenho do adversário durante a campanha deste ano e citou declarações de Neto em municípios do interior. “Ele fugiu dos debates, então como é que ele agora pode se dar o direito de exigir a presença dos outros no debate? Então, ele não tem moral nem os seus correligionários para falar disso, porque ele não foi nos debates da eleição de 2022”.
Rui também acusou o candidato do União Brasil de demonstrar pouco conhecimento sobre o Estado e citou episódios ocorridos durante agendas em Ipirá e Guanambi. “Ele conhece pouco a Bahia, ele foi em Ipirá disse que ele levou o campus da Uneb. Ipirá nunca teve campus da UNEB. Então das duas uma, ou ele mostra que não conhece nada da Bahia ou ele se mostra um mentiroso”.
O petista ainda fez críticas à atuação profissional de Neto nos últimos quatro anos e mencionou investigações envolvendo o adversário. As declarações representam acusações de Rui e não foram acompanhadas, durante a entrevista, da apresentação de provas sobre as atividades mencionadas.
“Ele some 4 anos, aliás ele se dedicou a outras atividades ao longo desses 4 anos, né, me parece que ele se dedicou muito a consultoria e relacionamento e ia participar de muitas festas, as investigações vão ele participou de muitas festas ao longo desses anos e fez muita consultoria ao longo desse período e não se dedicou a conhecer a Bahia, por isso ele fala bobagem”.
Ao citar Guanambi, Rui voltou a questionar o conhecimento do adversário sobre a estrutura do Estado. “Ele chegou em Guanambi disse que ia construir um hospital estadual, o hospital estadual existe há muitos anos, foi construído até no período que eles governaram, nós duplicamos o hospital. Mas o hospital de Guanambi existe, é tão antigo que foi o grupo dele que construiu antes de nós chegarmos ao governo”.

