O executiva nacional do PT aprovou uma mudança no estatuto para permitir a reeleição de parlamentares e dirigentes partidários que já tenham exercido três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa ou instância da sigla. A alteração ocorreu sob a condução da presidente do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.
Apesar da pregação do presidente Lula por renovação de seu partido, a alteração possibilitará que deputados concorram à reeleição ainda que já tenham ocupado a mesma função três vezes seguidas. Como o mandato de senador é maior, a candidatura estava proibida para aqueles que já estivessem no segundo período consecutivo.
A própria Gleisi encaminhou a votação, que ocorreu durante reunião tensa nesta segunda-feira (17). Ela chegou a afirmar, quando contestada, que sabia como conduzir uma reunião do PT. Além dela, a secretária nacional de juventude, Nadia Garcia, defendeu a proposta —que suspendeu a regra para a eleição de 2026.
De acordo com a Folha, as discussões ficaram acaloradas antes mesmo da votação do mérito, quando petistas discutiram qual seria o quórum para a decisão. Durante o debate híbrido, presencial e virtual, o secretário de Comunicação, deputado federal Jilmar Tatto (SP), bateu boca com Valter Pomar, dirigente da Articulação de Esquerda.
Os opositores da decisão ameaçam ir à Justiça sob o argumento de que mudança no estatuto exige quórum qualificado. Para atingir dois terços do Diretório Nacional, seriam necessários 62 votos. A mudança foi aprovada por 60 votantes. Outros 27 votaram contra, e houve 5 abstenções.
A vedação suspensa dizia o seguinte: “Não poderá se apresentar como pré-candidato ou pré-candidata para postular o mesmo cargo o parlamentar que já tiver sido eleito para três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa, e no caso do cargo de senador ou senadora, o parlamentar que já tiver sido eleito para dois mandatos consecutivos no Senado Federal”.

