Por Anderson Luis
A Polícia Militar da Bahia acompanhou, nesta sexta-feira (15), uma carreata realizada por médicos da rede estadual na Avenida Milton Santos, em frente às “Gordinhas” de Ondina, em Salvador. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) e ocorreu em oposição à proposta do governo da Bahia de substituir contratos CLT por vínculos de pessoa jurídica (PJ) na Secretaria de Estado da Saúde (Sesab).
Presente no ato contra a pejotização de 500 médicos, o pediatra e ex-deputado estadual Heraldo Rocha, 83 anos, mostrou incômodo com a presença da polícia e denunciou bloqueio do acesso à Sesab.
“Essa carreata foi histórica, porque a gente sabe que o médico precisa trabalhar. Mas, desde que saímos de Ondina até a Sesab, nós fomos seguidos por policiais militares, que filmavam a carreata. Quando chegamos na porta da Sesab, onde, educadamente, a presidente e o vice do sindicato discursaram, os PMs fecharam a entrada. […] Um absurdo, uma falta de respeito, já não basta o desrespeito com o médico”, disse Heraldo.
O ex-deputado também classificou a situação dos colegas na Bahia como “gravíssima” e denunciou que, mesmo com plano de saúde, os pacientes estão enfrentando dificuldades para obter atendimento nas unidades do estado. “A situação da saúde é caótica. Estamos com um problema sério de transferência de pacientes do interior. Aqui na capital, as UPAs estão lotadas. E o sindicato não quer salário, ele está reivindicando que o CLT não passe para PJ”, declarou.
O vice-presidente do Sindimed, Yuri Serafim, em conversa ao AsP, contou que 100 carros participaram da carreata. E, apesar da presença de policiais que filmavam os médicos, ele relatou que o movimento ocorreu com tranquilidade. “Fomos surpreendidos por essa atitude, mas não sabemos a motivação.”
Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

