O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar ainda neste ano um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF), após o segundo turno das eleições. De acordo com apuração da CNN Brasil, a possibilidade é discutida por integrantes do governo diante da mudança na composição do Senado, que terá uma bancada de direita maior a partir de 2027.
A estratégia seria aproveitar a atual configuração da Casa para tentar garantir a aprovação do indicado antes da posse dos senadores eleitos neste domingo (4). A escolha de ministros do Supremo cabe ao presidente da República, mas o nome precisa passar por sabatina e receber o aval da maioria absoluta do Senado.
A movimentação também considera o cenário da disputa presidencial. Dirigentes petistas avaliam que uma indicação feita por Lula ainda em 2026 impediria que Flávio Bolsonaro (PL), caso vença o segundo turno, tivesse a oportunidade de preencher essa vaga no STF.
Antes de avançar com uma indicação, Lula deve conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar se existe ambiente político para aprovar um nome ainda neste ano. A avaliação entre integrantes do governo é que uma indicação nesse período precisaria reunir apoio amplo no Senado, sobretudo entre partidos do Centrão. Nesse cenário, uma nova tentativa de emplacar Jorge Messias seria considerada pouco provável.
Entre os nomes mencionados por assessores presidenciais estão os ex-senadores Rodrigo Pacheco e Simone Tebet, ambos do PSB. Outro nome citado nas discussões é o do governador do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto. Até o momento, porém, Lula não definiu quem indicaria caso decida antecipar a escolha.
O resultado das eleições para o Senado tornou a articulação mais urgente na avaliação de integrantes do governo. A nova legislatura terá maior presença de partidos de direita, o que pode dificultar a aprovação de um indicado de Lula caso o petista seja reeleito e deixe a escolha para 2027.
A relação de Alcolumbre com esse novo cenário político também entrou nos cálculos do Palácio do Planalto. Em entrevista à CNN, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a direita não deverá apoiar uma eventual reeleição de Alcolumbre para a presidência do Senado em 2027. No Planalto, essa resistência é vista como um fator que poderia aproximar Alcolumbre de uma articulação para acelerar a análise de um indicado ao STF antes do fim do ano.

