O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu mudanças na estrutura do Partido dos Trabalhadores e afirmou que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisa, necessariamente, ser filiado à legenda. Em entrevista ao jornal O Globo, ele argumentou que a continuidade do atual projeto político deve ser o principal critério para a escolha de uma futura liderança.
Ao comentar a avaliação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, sobre a necessidade de mudanças “profundas” no partido após a reeleição de Lula, Jerônimo disse que a renovação faz parte da trajetória da sigla e não significa excluir integrantes. “Claro, sempre precisa. Estamos vivos porque o PT passou por mudanças. Não significa excluir ninguém. É a renovação. Podemos renovar o próprio governo do presidente. Lula acena para isso e pede inovações”.
O governador também avaliou que a transição para o quarto mandato de Lula poderá contribuir para preparar o processo de sucessão presidencial, embora considere cedo para discutir nomes. “Essa transição (para o quarto mandato) vai ser um grande exercício para o processo sucessório no futuro, não agora. O sucessor não precisa ser necessariamente do PT. Tem que ser de um campo que conduza o que fizemos até aqui, para que o Brasil continue em boas mãos”, declarou.
Questionado sobre possíveis nomes para suceder Lula, Jerônimo citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que não pertence ao PT, mas integra o governo e participou da articulação política da atual gestão. “Lula nem montou o Ministério. Ele não surgiu como líder pronto para ser presidente. Foi construindo os ambientes. Só que nós temos pouco tempo. Os nomes colocados precisam aparecer numa posição adequada (no governo) . O vice-presidente Geraldo Alckmin ajudou bastante e não é do PT”, disse.
O governador acrescentou que Lula precisará manter diálogo com diferentes partidos no Congresso Nacional. Para ele, a escolha de uma liderança para dar continuidade ao projeto político deve considerar o alinhamento em torno das propostas para o país.
“O que importa é o projeto para o país e quem está alinhado politicamente”, afirmou.
A posição de Jerônimo é semelhante à adotada ao tratar das eleições para a Prefeitura de Salvador, em 2028. Em entrevista à coluna Milena Teixeira, do Metrópoles, na terça-feira (3), o petista abriu espaço para que outras legendas da base governista indiquem um nome para a disputa. “Vamos fazer a disputa. Pode não ser o PT, eu não carrego, eu não carrego essa obrigatoriedade que tem sido PT, tem que ser o nome. Nós temos um projeto pra Salvador, de inclusão, de cultura, de geração de emprego, de segurança pública”, disse na ocasião.

