Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que emendas destinadas pelo deputado federal Raimundo Costa (Podemos-BA) beneficiaram diretamente a Federação dos Pescadores e Aquicultores do Estado da Bahia (Fepesba), entidade que o parlamentar já presidiu. O relatório aponta risco de conflito de interesses e revela que parte dos recursos foi utilizada pela federação para contratar serviços de arquitetura e engenharia de uma empresa ligada à companheira de seu ex-chefe de gabinete, em um contrato considerado superfaturado pelos técnicos.
O documento será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e integra o conjunto de auditorias que analisam emendas individuais destinadas por parlamentares nos últimos anos, sob relatoria do ministro Flávio Dino. A investigação destaca fragilidades graves na execução dos recursos enviados por Raimundo Costa, especialmente os R$ 4,36 milhões destinados à reforma de 32 colônias de pescadores baianas. Segundo a CGU, as obras sequer foram iniciadas, apesar de a empresa contratada já ter recebido aproximadamente R$ 596 mil.
A auditoria comparou os R$ 450 mil pagos pelas duas primeiras etapas do serviço diagnóstico e elaboração dos projetos básicos com valores de referência da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura e do DER do Espírito Santo, que estimam R$ 291.285,34 para atividades equivalentes. Além do superfaturamento apontado, a federação antecipou pagamentos da terceira etapa, que seria o acompanhamento das obras, mesmo sem que qualquer reforma tivesse começado.

