O movimento nacional ‘Mulheres Vivas’ convocou, para o próximo domingo (14), uma manifestação na Barra, em Salvador. O ato ocorrerá em virtude do aumento de casos de feminicídio e todas as formas de violência de gênero. Organizado por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, a mobilização já aconteceu em diversas cidades do país no último domingo (7).
Depois das manifestações realizadas em São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Luís e Teresina, a capital baiana irá mobilizar a população às 9 horas no Cristo da Barra, com previsão de início às 10 horas.
O ato surge após uma onda de feminicídios recentes, incluindo o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos em Brasília, a tentativa de feminicídio contra Tainara Souza Santos em novembro e a morte de duas funcionárias do Cefet-RJ.
De acordo com a Secretária Municipal de Políticas para Mulheres de Salvador, Fernanda Lordelo, a mobilização tem um papel essencial no combate ao feminicídio e afirmou que a pasta estará presente no ato deste domingo. “Iniciativas como esta são fundamentais para toda a rede de enfrentamento à violência de gênero e para a sociedade civil. Muito do que foi conquistado pelas mulheres ao longo de décadas é resultado direto da mobilização social na defesa de direitos”, disse.
Conforme um relatório da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado divulgado em novembro, o governo Lula (PT) utilizou apenas 15% do orçamento previsto para o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (PNPF) de 2024 a 2025.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que cerca de 1.075 mulheres morreram em 2025 vítimas de feminicídio no Brasil. A Bahia ocupa o terceiro lugar no ranking dos estados que mais registram mortes de mulheres por crime de gênero, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Em um caso mais recente, ocorrido nesta terça (10), Rhianna Alves, uma mulher trans de 18 anos, foi vítima de transfeminicídio. A jovem foi morta com um golpe de “mata-leão” por um motorista de aplicativo de 19 anos, durante uma corrida que percorria o trajeto de Barreiras até Luís Eduardo Magalhães, Na Bahia.
Enfrentamento ao feminicídio na Bahia
Procurada pelo AsP, a deputada estadual licenciada e Secretária de Mulheres no governo Jerônimo Rodrigues (PT), Neusa Cadore, destacou as estratégias de enfrentamento do estado ao feminicídio.
“A Secretaria das Mulheres do Estado (SPM) atua em dois eixos estratégicos, ou seja, na promoção da inclusão socioprodutiva e autonomia econômica das mulheres e na prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres”, detalhou em nota.
Cadore também listou investimentos que somam cerca de R$ 131,7 milhões em ações de enfrentamento à violência de gênero na Bahia. Entre os projetos contemplados, estão os programas ‘Direitos e Inclusão Socioprodutiva das Mulheres’, ‘Mulher, Viver Sem Violência’ e o lançamento de editais voltados à inclusão socioprodutiva, autonomia econômica e ações pedagógicas em escolas.
Estratégias no município
Ao AsP, a secretária municipal, Fernanda Lordelo, enfatizou a redução de casos de feminicídio na capital em dois anos consecutivos. “Tendo como base a estatística oficial da Polícia Civil no comparativo do ano de 2023, em que foram 20 mulheres mortas; em 2024, menos 11 mulheres mortas, redução de 55%; e em 2025, menos 10 mulheres mortas, redução de 50%”, citou.
Lordelo atribui esses indicadores ao aumento no investimento em políticas que beneficiam mulheres em Salvador. Como exemplo, ela cita o ‘Botão Lilás’, um mecanismo recente de acionamento de viaturas próximas em caso de urgência.
“São campanhas, capacitações de equipes técnicas, formações de mulheres e homens em espaços públicos e privados da cidade.”
Dados compartilhados pela Secretaria Municipal da Mulher indicam investimentos que somam cerca de R$ 161,7 milhões somente em 2025, em projetos que visam o direito à cidadania e assistência social de mulheres.
Com informações apuradas pelo jornalista Alan Robert.

