Por Heraldo Rocha
O Sindimed tem denunciado, de forma contundente, a tentativa da Sesab, no governo de Jerônimo Rodrigues, de transformar médicos seletistas em pessoas jurídicas (PJ). Essa política de precarização retira dos profissionais direitos básicos como férias, licença-maternidade e amamentação — atingindo diretamente médicas que, além de exercerem sua profissão, têm o direito de serem mães sem medo de represálias trabalhistas.
Em visitas a hospitais públicos e privados da capital, uma realidade preocupante chama a atenção: médicos jovens, recém-formados, convivendo com um cenário de insegurança profissional enquanto se preparam para residência médica. Essa instabilidade gera frustração e desestimula uma carreira que exige dedicação integral à vida humana.
Outro ponto alarmante é o tempo excessivo que os médicos passam diante do computador. Muitos pacientes relatam que seus atendimentos se resumem a ver o médico digitando, em vez de olhar nos olhos, ouvir, examinar. A pergunta que fica é: o que está acontecendo com a prática da medicina? O médico foi formado para cuidar de gente, não para ser um escravo de sistemas burocráticos que engessam a assistência e afastam o profissional da essência do seu trabalho: o cuidado humano.
É preciso repensar urgentemente esse modelo que desvaloriza os profissionais da saúde, retira direitos, precariza relações de trabalho e ainda impede que o médico exerça a medicina de forma plena e digna. Afinal, sem respeito aos médicos, quem perde é a população, que já sofre com filas intermináveis, hospitais superlotados e uma saúde pública em colapso.

