O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manteve o calendário para a discussão em plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Apesar da manutenção da pauta, líderes governistas avaliam que o resultado das eleições deste domingo (4), com o fortalecimento de partidos de direita na Casa, reduziu as chances de a proposta avançar.
A primeira das três sessões semipresenciais destinadas à discussão do texto está marcada para esta terça-feira (6). As outras duas estão previstas para quarta (7) e quinta-feira (8). A realização das sessões é uma das etapas necessárias para que a PEC possa avançar no Senado. A manutenção do calendário, porém, não significa que a proposta será necessariamente submetida à votação.
Segundo apuração do G1, o desempenho de candidatos de direita na disputa pelo Senado alterou o cenário político para a matéria e pode dificultar a construção dos votos necessários para sua aprovação. A avaliação ocorre após as eleições renovarem 54 das 81 cadeiras do Senado. O PL, por exemplo, elegeu 19 senadores e passará a contar com 28 parlamentares a partir de 2027, formando a maior bancada da Casa.
Embora os senadores escolhidos neste domingo só assumam os mandatos em fevereiro do próximo ano, o resultado das urnas já influencia as articulações políticas no Congresso e as posições dos atuais parlamentares.
Alcolumbre anunciou na última sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno, que daria sequência à tramitação da proposta. O movimento foi interpretado por integrantes do governo como um gesto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O fim da escala 6×1 está entre as prioridades defendidas pelo governo federal no Congresso e também ganhou espaço na campanha de Lula pela reeleição. A proposta já passou pela Câmara dos Deputados, onde foi aprovada no fim de maio, e depende agora da conclusão da tramitação no Senado.
Com a manutenção do calendário, o texto será discutido em plenário ao longo desta semana. A eventual votação, entretanto, dependerá da decisão de Alcolumbre e da construção de apoio suficiente entre os senadores.

