O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta quinta-feira (22), que a Meta apresente, no prazo de 12 horas, dados sobre a distribuição algorítmica das publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) na rede social Instagram. O descumprimento da ordem poderá resultar em multa de R$ 100 mil por hora de atraso. A decisão é do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva e atende a uma ação da campanha de Lula (PT), que questiona um possível favorecimento do parlamentar pelo algoritmo da plataforma.
O processo tem como foco o vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado na terça-feira (20), com depoimentos de moradores da região que criticam o governo federal e declaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a campanha petista, o conteúdo alcançou 50 milhões de visualizações em três horas e passou de 103 milhões em nove horas. A publicação ultrapassou 160 milhões de visualizações, embora o deputado tenha cerca de 25 milhões de seguidores.
Para Cueva, os números totais não esclarecem, por si só, como o vídeo atingiu essa audiência. O ministro determinou o fornecimento de informações que permitam identificar a origem das visualizações, a proporção de acessos de seguidores e não seguidores e os mecanismos utilizados para distribuir o conteúdo.
A decisão também estabelece que a plataforma diferencie, “na medida tecnicamente possível”, o alcance gerado por recomendações algorítmicas daquele proveniente de acessos diretos e compartilhamentos. Anteriormente, a Meta havia informado que a extração e a validação dos dados exigiam procedimentos técnicos, mas não apresentou um prazo para a entrega das informações.
Em nota, a empresa rejeitou as suspeitas de favorecimento e afirmou que o número de seguidores não determina o alcance de uma publicação. “É o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo”, declarou.
A Meta também argumentou que publicações que acumulam visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em um curto intervalo têm maior probabilidade de serem recomendadas a outros usuários. A empresa informou ainda que pretende contestar o que classificou como alegações enganosas sobre o desempenho de perfis políticos em comparação com contas de celebridades globais.

