As eleições do Brasil deste ano, em termos gerais, estão bastante disputadas. É o que avaliou o cientista político Antônio Lavareda, durante o evento “Diálogos que Transformam”, promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB). Para o cientista, a carga emocional deste pleito eleitoral é muito grande. “Quanto mais nos aproximamos do momento em que o cidadão registra seu voto na urna eletrônica, essa tensão tende a aumentar” afirmou.
Lavareda avalia que, apesar das redes sociais influenciarem o público eleitoreiro, pelo imediatismo de informações, a propaganda eleitoral na televisão e no rádio ainda consegue atingir uma parcela significativa da população, alcançando cerca de 100 milhões de brasileiros, somente na televisão aberta.
Contudo, na penúltima semana da eleição, e os movimentos finais, influenciados pela propaganda eleitoral, debates e noticiários serão decisivos para o eleitor decidir seu voto nas urnas, como explica o cientista. “A mídia, os telejornais e os jornais têm levado diariamente ao público notícias que movimentam e atraem a atenção dos eleitores. Esses acontecimentos têm, sim, potencial para modificar as intenções de voto nos últimos dias da campanha”, afirmou.
A vantagem do incumbente
Questionado se a postura do presidente e candidato à reeleição da República, Luiz Inácio Lula da Silva há 17 dias da eleição, com o ajuste de benefícios sociais seria um desespero para alcançar as urnas, Lavareda foi taxativo. “Todo incumbente lança mão da condição de estar no cargo”. Ele explicou que na literatura da ciência política, isso é chamado de “vantagem do incumbente”. “Trata-se da possibilidade de utilizar políticas públicas até a última hora, inclusive em função de interesses eleitorais”, pontuou.
Na avaliação do cientista, não chega a ser um desespero, mas revela uma preocupação do presidente que busca a reeleição com os números apresentados pelas pesquisas. “De fato, é uma eleição muito acirrada”.
“Não se trata de discutir a maior ou menor legitimidade dessas iniciativas, mas é fato que elas revelam uma preocupação significativa do governo diante da possibilidade de uma eventual frustração na tentativa de reeleição do presidente, justamente naquela que pode ser sua última corrida eleitoral”, destaca Lavareda.
Uma onda de direita
O número crescente de partidos de direita nas eleições dos últimos anos tem mostrado uma avaliação do que pode ocorrer na corrida eleitoral deste ano. “Temos uma onda de direita. Talvez esta seja a primeira eleição da Nova República em que a esquerda tenha apenas um candidato competitivo. Há outros candidatos de partidos de esquerda, mas são candidaturas de partidos considerados de extrema esquerda e com pouca relevância eleitoral”, avaliou Lavareda.
Ele destaca os partidos que ganharam notoriedade nas eleições deste ano, a exemplo do Missão, Novo, PSD, dentre outras forças políticas, enquanto a esquerda concentra a federação e a aliança política apenas no presidente Lula. .
Disputa na Bahia
Sobre a corrida eleitoral na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues (PT) vê sua chance de emplacar mais quatro anos à frente do executivo estadual se distanciar, em virtude do crescimento nas pesquisas do seu principal adversário, ACM Neto (União Brasil), Lavareda analisa como uma disputa acirrada.
“As pesquisas apontam, neste momento, uma liderança do ex-prefeito ACM Neto. Essa liderança aparece tanto nos cenários de primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno”.
Ele acredita que as últimas notícias que envolvem os dois principais candidatos têm fundamental importância para o eleitor decidir seu voto nas urnas. “Naturalmente, 15 dias representam pouco tempo para produzir grandes mudanças, mas, ao mesmo tempo, é um período razoável para alterar o cenário eleitoral”.
“Portanto, podemos dizer que ACM Neto é, neste momento, o favorito nas pesquisas. No entanto, essa condição de favoritismo não é algo impossível de ser modificado ao longo das duas semanas restantes de campanha”, afirmou Lavareda.

