Por Anderson Luis
Em entrevista ao podcast do Aqui Só Política, nesta quarta-feira (01), o cacique do MDB Geddel Vieira Lima avaliou o cenário eleitoral em outubro na Bahia como ‘difícil’. Em transmissão no canal oficial do programa no YouTube, o ex-ministro apontou para a necessidade do governador Jerônimo Rodrigues (PT) mostrar ‘menos esperança e mais fatos concretos’ para ser reeleito.
Para Geddel, a corrida eleitoral será atípica para o petista, visto que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu força na Bahia.
“Eu acho que vai ser um pleito diferente. E, em tese, um pouco mais difícil para o governador. Porque em 2022, Jerônimo surgiu naquele imbróglio como uma pessoa absolutamente desconhecida, então era mais fácil fazer dele uma esperança. O embate era menos complicado. […] O Lula, em tese, estava num outro patamar, ouço dizer em pesquisas que, na própria Bahia, ele perdeu ‘push’, tem como recuperar? Tem. Então, é uma eleição diferente, onde Jeronimo vai ter que chegar na praça publica e mostrar menos esperança e mais fato concreto. Ele tem fato concreto pra mostrar? Tem. A estrutura do PT tem fato concreto pra mostrar? Tem. Eu acho que está padecendo de um pouco de organização política, vide essa bobagem do vice”
O MDBista também falou sobre a relação do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e ACM Neto (União Brasil), rival de Jerônimo nas eleições estaduais. Segundo ele, Neto usa o candidato do PSD ao Planalto, Ronaldo Caiado, como ‘escudo’ para fugir da rejeição do bolsonarismo na Bahia.
“E quanto a ACM neto, eu acho que hoje ele sofrendo mesmo mal que eu sofri em 2010 quando, equivocadamente eu fui para aquela disputa, […] a falta de uma âncora nacional. A eleição majoritária termina puxando uma à outra. Mesmo ainda sem ‘push’ na Bahia como tinha, o Lula ainda é muito forte no estado. E ainda tem a capacidade de vincular o nome dele ao de um governador, no caso de Jerônimo. O ACM Neto vai ter essa dificuldade de novo, porque ele está usando o Ronaldo Caiado como escudo para não cair no colo do Flávio (Bolsonaro), já que o Bolsonarista tem rejeição na Bahia. Então ele vai se escudar nesse discurso de que o Caiado é um homem do partido, ainda que Caiado não pontue. E creio que não vai pontuar, já que ele e Flávio são frutos de uma mesma árvore”, projetou.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

