O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Roberto Teixeira da Costa, afirmou que a defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de ampliar o poder do Banco Central sobre fundos de investimento “fragiliza” a autarquia em um momento de críticas inéditas. Aos 91 anos, Teixeira da Costa disse estranhar que o tema tenha sido debatido publicamente antes de existir uma proposta formal detalhada.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o economista ressaltou que mudanças regulatórias devem ser preparadas internamente e explicadas ao mercado somente após definição clara dos objetivos. Segundo ele, a fala de Haddad ocorre justamente enquanto a CVM enfrenta uma onda de questionamentos e, por isso, aumenta o risco de desgaste institucional e reputacional.
Teixeira da Costa também resgatou a história da CVM, criada após crises no mercado de capitais nos anos 1970, quando a regulação era limitada pelo Banco Central. Ele explicou que a transferência da supervisão dos fundos de investimento para a CVM só ocorreu em 2001, após a autarquia estar estruturada e pronta para assumir a nova atribuição.

